[Tentando me desenferrujar, rabisquei este pequeno para o 14º Concurso Maldito, de tema: Desmascarar.]
Falso.
Os assentos, alguns momentos antes ocupados com a catarse de quem ali postava-se, àquela hora já iam vagos. Iluminado pela lâmpada que pendia incerta do teto, o picadeiro se mostrava sob uma penumbra que, definitivamente, não caía bem ali. O vermelho-amarelo das lonas laterais dançava no chão sob um reflexo triste, decadente.
Era fim noite no Circo e era ainda rosto pintado em sorriso, bola vermelha no nariz.
O caminho para o banheiro ele já conhecia tão bem. E a sua imagem às vezes parecia nunca ter arredado pé daquele espelhinho retangular de bordas alaranjadas.
Lenço e água e fricção e a felicidade escorria pia abaixo.
Sem tinta no rosto, as sobrancelhas não mais se sustentavam no alto da cara; pendiam a solidão de quem, tal qual o circo, foi abandonado de súbito pela alegria.
Sumira o sorriso caricato nos lábios, lavado o batom; a boca era mais como um risco seco. Lábios finos que já não tem mais razão de se abrir.
A barba por fazer envolvendo a face lavada denunciava-o: um homem só, e só, a encarar-se a si mesmo no espelho fajuto daquele banheiro mínimo.
Mas se seus olhos obedeciam aos apertos da alma e lagrimavam seu reflexo, não havia porque se delongar na dor: A felicidade, esta jazia no picadeiro agora abandonado, e esperaria-o na noite seguinte, quieta e paciente dentro das tintas de sua maquiagem.
quarta-feira, janeiro 25, 2006
domingo, janeiro 15, 2006
"But there’s a full moon risin’
Let’s go dancin’ in the light
We know where the music’s playin’
Let’s go out and feel the night.
(...)
But now it’s gettin’ late
And the moon is climbin’ high
I want to celebrate
See it shinin’ in your eye.
Because I’m still in love with you
I want to see you dance again
Because I’m still in love with you
On this harvest moon."
Neil Young - Harvest Moon
(...)
[Harvest Moon seria um título muito óbvio?]
De súbito, a lua jorrava palidez ali, bem no centro do céu negro. E era como se toda ela interrompese a placidez contínua daquelas alturas com sua beleza. Confundia a calmaria quando esbanjava perfeição. Venenosa.
Cá embaixo, as tuas sandálias rotas faziam subir do chão o pó, fingiam ir prá voltar ao mesmo lugar, se conduziam com a leveza de quem não tem ao que obedecer. E era a tua palidez, cruel de tão bela, que interrompia minha noite fresca. Era a tua dança que sugava os meus sentidos, que reduzia-me a secura de boca e desespero de coração. Era eu menos que o pó que levantavas.
E a ouvir o reverberar de cordas dum violão, eu, que nunca me dei com estes passos que se dissimulam em ritmo, queria mais que tudo também saber me deixar levar. Você pelos sons; eu por você, neste tão longe tão perto que me põe besta e meio.
(...)
Param os sons, pára você. Debaixo do holofote lunar agora, só o rastro de poeira antes levantado, a voltar pro chão.
E eu, que me vejo despertado pelo silêncio, me deito com a tua ausência.
Que eu ainda sou um apaixonado, que quer ver-te dançar de novo.
_________________________________________________________________
PS: Viajo prá praia hoje a noie. Volto dentro duns dez dias. Se eu não tiver paciência com lan houses, peço prá alguém atualizar isso aqui. Até!
Let’s go dancin’ in the light
We know where the music’s playin’
Let’s go out and feel the night.
(...)
But now it’s gettin’ late
And the moon is climbin’ high
I want to celebrate
See it shinin’ in your eye.
Because I’m still in love with you
I want to see you dance again
Because I’m still in love with you
On this harvest moon."
Neil Young - Harvest Moon
(...)
[Harvest Moon seria um título muito óbvio?]
De súbito, a lua jorrava palidez ali, bem no centro do céu negro. E era como se toda ela interrompese a placidez contínua daquelas alturas com sua beleza. Confundia a calmaria quando esbanjava perfeição. Venenosa.
Cá embaixo, as tuas sandálias rotas faziam subir do chão o pó, fingiam ir prá voltar ao mesmo lugar, se conduziam com a leveza de quem não tem ao que obedecer. E era a tua palidez, cruel de tão bela, que interrompia minha noite fresca. Era a tua dança que sugava os meus sentidos, que reduzia-me a secura de boca e desespero de coração. Era eu menos que o pó que levantavas.
E a ouvir o reverberar de cordas dum violão, eu, que nunca me dei com estes passos que se dissimulam em ritmo, queria mais que tudo também saber me deixar levar. Você pelos sons; eu por você, neste tão longe tão perto que me põe besta e meio.
(...)
Param os sons, pára você. Debaixo do holofote lunar agora, só o rastro de poeira antes levantado, a voltar pro chão.
E eu, que me vejo despertado pelo silêncio, me deito com a tua ausência.
Que eu ainda sou um apaixonado, que quer ver-te dançar de novo.
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PS: Viajo prá praia hoje a noie. Volto dentro duns dez dias. Se eu não tiver paciência com lan houses, peço prá alguém atualizar isso aqui. Até!
quinta-feira, janeiro 12, 2006
História
Inglês
Pronto. Finalmente, Férias Quae Sera Tamén.
Sobre os vestibulares, eu já me cansei de fazê-los e de falar sobre. Em suma, muito ônibus lotado, muito toc-toc-toc de pés no chão, muito período de sigilo e, agora, muita espera.
Prá mim, a volta prá Ipatinga amanhã. Um Neruda que não é meu prá ler, mais Guimarães Rosa e Jack Kerouack. Porque farofa pouca é bobagem.
Senti falta de escrever de fato [apesar de não saber o que isso significa realmente] aqui. Algumas idéias, contudo falta o tempo. Mas isso eu já resolvo.
E prá atualizar, aquilo que ele chamou de, Um pouco de Rafael, um pouco de Lara.
Crime
É igual feijão.
Bom é o feito em casa.
Erro
Trancou a família no banheiro
e engoliu a chave.
Cutelo
Pedacinho por pedacinho.
Feito como a fez murchar.
Engenho
Fez da mãe uma canoa.
Na panela
Coração de mãe,
Sempre cabe mais um.
Pena
Para o caçula virou o rosto.
O tiro só ouviu.
Veneno
Isso, amor... Come tudinho.
Improviso
A receita dizia dois quilos de carne.
O bebê tinha cinco.
Microondas
Lá dentro sorria. Bi bi bi!
Rosa, vermelho, roxo, explodiu.
Do vigésimo nono andar
- Voa, bebezinho, voa!
Perfeito
...e agora você é meu álibi. Porque quer teu sangue correndo nas veias, né?
Fria leitura
Matou a família e foi ler micro-contos.
segunda-feira, janeiro 09, 2006
Um alarme mais barulhento que todos os outros tocando quando eu finalmente tinha deixado a ansiedade de lado prá pegar no sono. E daí até dormir outra vez, lá se foram uns trinta minutos. Mas consegui acordar e me arrumar prá meter-me num ônibus que, por Deus, jurei que não me caberia. Caixa abarrotada de gente - grande novidade - e Kelly Key tocando na rádio. Sabe que é mais constrangedor quando há gente perto? É... principalmente na parte em que ela fala "Só porque cê tá de carro?". A vergonha era tão grande que deu vontade de pular pela janela.
Enfim. A sala com doze carteiras me lembrou sonho, não sei porque. Tão pequena, tão tranquila, era clara. E finalmente aquelas enjoadas questões dissertativas, um manifesto contra a violência [faz-me rir!] e um "texto a ser publicado num jornal de grande circulação." [Ironia do destino? Sei que me desfiz dos conceitos de lead e tudo mais. Afinal, é disso que eu corro.].
A Carta de Caminha me foi gentil. Também o Capitão Rodrigo do Veríssimo [o Érico, querido.] e os tais Contos Amazônicos. Mas, Guimarães Rosa, o senhor pisou no meu calo com o/a Diadorim e o Riobaldo na travessia. Inventar é a solução, e juro que fez até sentido. Mas esses corretores da banca... eu não sei se me compreendem.
Na volta teve o centro quente dessa cidade, numa tarde quente, sob a ótica dumas lentes escuras. E eu concluí que gosto daquele monte de gente atravessando prá lá e prá cá e dos carros quase me matando na minha travessia. Tanto quanto gosto dos exageros.
Então amanhã tem mais. Provavelmente contarei às paredes, novamente, como é que foi.
terça-feira, dezembro 27, 2005
[*Cronch* Senta que lá vem história.]
É fato que há um certo atraso nesse post de fim de ano, mas acontece que, não sei se por falta de tempo ou de ânimo, mas deixei passar o natal sem desejar, algo de bom prá quem quer que seja que visite isso aqui.
Então não vou desejar, porque isso soaria tão patético quanto luzes de natal na janela em pleno Março, ou Jingle Bells como toque de celular em Abril. [Juro que já ouvi falar de um cara que usava esse ringtone durante todo um ano.]
O que interessa é que três dias e poucas horas de 2005 é o que ainda me resta desse ano, e penso ser inevitável não tecer nenhuma reflexão a respeito desses dias que ficaram prá trás.
Talvez lembrar.
Que eu comecei sem saber onde ia terminar, como qualquer pessoa. Que, quando eu soube mais ou menos onde é que eu iria me enfiar, eu senti um medo tão grande que temi molhar as calças. Que eu percebi que escrever leads e apurar matérias não era bem o que eu queria prá mim, e tentei - ainda tento* - dar jeito nisso. Que amarguei dias de "eu-queria-que-fosse-como-antes", encharcando travesseiros e estranhando quando me pegavam pela mão - ora essa, eram mãos diferentes, viu!
Que aprendi a andar em ruas estranhas e a desconfiar da cara de qualquer pessoa que não tivesse asas nas costas, ou auréolas sob as cabeças [apesar de que, não me engano, houve horas em que até estes eu olhei de solsaio e medi de cima a baixo].
Talvez sorrir.
Que eu vi meu rosto queimar de vergonha, engoli palavras e senti a saudade me cortar o peito, como se eu parisse ou arrumasse o quarto de meu filho morto umas trinta vezes por dia, mas percebi que tudo isso me valeu de alguma coisa, já que eu ainda prefiro olhar pro chão, mas se preciso sei olhar na altura dos teus olhos. [Acho que chamam a isso de confiança, mas não é certeza]. Que eu conheci John Fante e Clarice Lispector e quis, finalmente, ser alguma coisa da minha vida - não que eu realmente vá, não que eu tenha o cacife; é apenas querer. Que agora eu não só estendo as mãos àquelas palmas outrora estranhas, como consigo me apoiar nas antigas conhecidas. Que eu realizei, talvez pela primeira vez em minha vida, um sonho guardado há anos, e senti e o meu peito quase se arrebentar de tanta felicidade. Pearl Jam.
Talvez concluir.
Que projetos de ano novo são besteira, e que o ano que virá me baterá numa face e beijará a outra logo depois, como todos os anteriores. Que o que importa, sobretudo, é o que se carrega de tudo o que se viveu, ou de tudo que te deixaram viver.
Porém, só prá não perder o costume: Ô 2006, cê dê um jeito de ser bom viu, marmota.
E não só prá mim, é claro. :)
[The Verve - Bittersweet Simphony]
___________________________________________________
*Quanto a ainda tentar... Nove, dez, onze e doze de Janeiro são as minhas provas de vestibular. Letras na UFMG, amiguinhos. Se der certo, vai dar certo. Vocês torçam, que eu vou sumir daqui e tentar enfiar história na minha cabeça nos próximos dias.
Até!
É fato que há um certo atraso nesse post de fim de ano, mas acontece que, não sei se por falta de tempo ou de ânimo, mas deixei passar o natal sem desejar, algo de bom prá quem quer que seja que visite isso aqui.
Então não vou desejar, porque isso soaria tão patético quanto luzes de natal na janela em pleno Março, ou Jingle Bells como toque de celular em Abril. [Juro que já ouvi falar de um cara que usava esse ringtone durante todo um ano.]
O que interessa é que três dias e poucas horas de 2005 é o que ainda me resta desse ano, e penso ser inevitável não tecer nenhuma reflexão a respeito desses dias que ficaram prá trás.
Talvez lembrar.
Que eu comecei sem saber onde ia terminar, como qualquer pessoa. Que, quando eu soube mais ou menos onde é que eu iria me enfiar, eu senti um medo tão grande que temi molhar as calças. Que eu percebi que escrever leads e apurar matérias não era bem o que eu queria prá mim, e tentei - ainda tento* - dar jeito nisso. Que amarguei dias de "eu-queria-que-fosse-como-antes", encharcando travesseiros e estranhando quando me pegavam pela mão - ora essa, eram mãos diferentes, viu!
Que aprendi a andar em ruas estranhas e a desconfiar da cara de qualquer pessoa que não tivesse asas nas costas, ou auréolas sob as cabeças [apesar de que, não me engano, houve horas em que até estes eu olhei de solsaio e medi de cima a baixo].
Talvez sorrir.
Que eu vi meu rosto queimar de vergonha, engoli palavras e senti a saudade me cortar o peito, como se eu parisse ou arrumasse o quarto de meu filho morto umas trinta vezes por dia, mas percebi que tudo isso me valeu de alguma coisa, já que eu ainda prefiro olhar pro chão, mas se preciso sei olhar na altura dos teus olhos. [Acho que chamam a isso de confiança, mas não é certeza]. Que eu conheci John Fante e Clarice Lispector e quis, finalmente, ser alguma coisa da minha vida - não que eu realmente vá, não que eu tenha o cacife; é apenas querer. Que agora eu não só estendo as mãos àquelas palmas outrora estranhas, como consigo me apoiar nas antigas conhecidas. Que eu realizei, talvez pela primeira vez em minha vida, um sonho guardado há anos, e senti e o meu peito quase se arrebentar de tanta felicidade. Pearl Jam.
Talvez concluir.
Que projetos de ano novo são besteira, e que o ano que virá me baterá numa face e beijará a outra logo depois, como todos os anteriores. Que o que importa, sobretudo, é o que se carrega de tudo o que se viveu, ou de tudo que te deixaram viver.
Porém, só prá não perder o costume: Ô 2006, cê dê um jeito de ser bom viu, marmota.
E não só prá mim, é claro. :)
[The Verve - Bittersweet Simphony]
___________________________________________________
*Quanto a ainda tentar... Nove, dez, onze e doze de Janeiro são as minhas provas de vestibular. Letras na UFMG, amiguinhos. Se der certo, vai dar certo. Vocês torçam, que eu vou sumir daqui e tentar enfiar história na minha cabeça nos próximos dias.
Até!
quinta-feira, dezembro 22, 2005
[Pro 10º Concurso Maldito, de tema: Decadência.]
Mise en Abyme
Demoro-me um pouco a largar a cama hoje. Mais que o pavor de enfrentar o frio que deve fazer fora do edredon, eu quero prolongar este estado gostoso de quase realidade em que me encontro. Sonho lucidamente, com ânsia de desfrutar todas as minhas ilusões adormecidas, porque sei que não tarda e eu escutarei o pí pí pí do despertador entrar dentro dos meus miolos, e trazer-me da forma mais cruel possível ao meu cotidiano.
Um contratempo em meus devaneios sonâmbulos desperta-me por completo, e, ainda meio confuso, vejo o teto tomar forma acima de mim. Aquele lustre sem graça a proteger a lâmpada apagada, algumas falhas na pintura; infiltrações.
É estranho mas posso ver-me ali, bem ali no teto; o sono fazendo-me débil, as mãos estapeando o pobre relógio prá que ele pare com aquela cantoria matinal irritante. Coço os olhos, bocejo - e que diabo de boca grande eu tenho, cruzes - e levanto finalmente. Arrasto-me ao banheiro e do banheiro até a cozinha, até o café quente descendo e queimando a goela e o pão esfarelando-se sob minha camisa. É manhã.
Caminho, irritado com a gravata apertada no pescoço, até o ponto de ônibus, e espero minutos que em minha cabeça transformam-se em horas maçantes, de gente chata sorrindo bom humor matinal e comentando sobre o tempo. Sinto ódio, sinto pressa, sinto repulsa, pena de mim, e ódio outra vez. Todo aquele trajeto que se faz tão mesmo prá mim todos as manhãs. As pessoas que me inspiram pensamentos iguais, dia após dia. A porta do escritório, nunca diferente. O tocar do telefone de que eu me recordo tão bem, meus atos que em nada me surpreendem, meus aborrecimentos de causa sempre mesma. Fins de expediente marcados por frases mecânicas, já gravadas em minha cabeça. E a volta prá casa, a gravata que me incomoda, as pessoas que riem cansaço, a minha irritação. A porta de casa, nunca diferente. O barulho da t.v e aqueles rostos, oh céus, saídos duma fábrica de produção em série. Meus olhos ardendo sono quando ainda estou no sofá, me indicam que tenho só o tempo suficiente para trocar a roupa e ajeitar-me na cama, antes que o sistema desligue-se automaticamente. Sei que não tarda e eu escutarei o pí pí pí do despertador entrar dentro dos meus miolos, e trazer-me da forma mais cruel possível ao meu cotidiano.
Inevitavelmente penso no tempo que escorre por entre esses meus dias, que se colocados frente a frente, refletiriam-se sem ruído algum; feito espelhos.
Procuro em agonia, por entre aquelas manchinhas de reboco mal feito, aquilo que roubou de mim o que um dia eu tive de essencial. Eu quero a resposta prá minha pergunta e um remédio prá dar jeito nessa minha decadência, que se afirma na estaticidade das coisas. Porque enquanto tudo vai sob controle e nada de novo acontece, eu vejo a minha vida descer, degrau por degrau, essa escada insossa da mediocridade, e sinto a idade querer me pesar a consciência. Que me deram uma vida a ser escrita, e dela eu fiz uma folha em branco, tão significativa quanto este teto de apartamento alugado, que agora me fita em acusação crescente e me faz querer ver despencar toda essa imensidão alva sob a lacuna que eu sou.
Mas o relógio precipita-se, e inicia sua cantoria matinal irritante. Eu coço os olhos, bocejo, e levanto finalmente.
Mise en Abyme
Demoro-me um pouco a largar a cama hoje. Mais que o pavor de enfrentar o frio que deve fazer fora do edredon, eu quero prolongar este estado gostoso de quase realidade em que me encontro. Sonho lucidamente, com ânsia de desfrutar todas as minhas ilusões adormecidas, porque sei que não tarda e eu escutarei o pí pí pí do despertador entrar dentro dos meus miolos, e trazer-me da forma mais cruel possível ao meu cotidiano.
Um contratempo em meus devaneios sonâmbulos desperta-me por completo, e, ainda meio confuso, vejo o teto tomar forma acima de mim. Aquele lustre sem graça a proteger a lâmpada apagada, algumas falhas na pintura; infiltrações.
É estranho mas posso ver-me ali, bem ali no teto; o sono fazendo-me débil, as mãos estapeando o pobre relógio prá que ele pare com aquela cantoria matinal irritante. Coço os olhos, bocejo - e que diabo de boca grande eu tenho, cruzes - e levanto finalmente. Arrasto-me ao banheiro e do banheiro até a cozinha, até o café quente descendo e queimando a goela e o pão esfarelando-se sob minha camisa. É manhã.
Caminho, irritado com a gravata apertada no pescoço, até o ponto de ônibus, e espero minutos que em minha cabeça transformam-se em horas maçantes, de gente chata sorrindo bom humor matinal e comentando sobre o tempo. Sinto ódio, sinto pressa, sinto repulsa, pena de mim, e ódio outra vez. Todo aquele trajeto que se faz tão mesmo prá mim todos as manhãs. As pessoas que me inspiram pensamentos iguais, dia após dia. A porta do escritório, nunca diferente. O tocar do telefone de que eu me recordo tão bem, meus atos que em nada me surpreendem, meus aborrecimentos de causa sempre mesma. Fins de expediente marcados por frases mecânicas, já gravadas em minha cabeça. E a volta prá casa, a gravata que me incomoda, as pessoas que riem cansaço, a minha irritação. A porta de casa, nunca diferente. O barulho da t.v e aqueles rostos, oh céus, saídos duma fábrica de produção em série. Meus olhos ardendo sono quando ainda estou no sofá, me indicam que tenho só o tempo suficiente para trocar a roupa e ajeitar-me na cama, antes que o sistema desligue-se automaticamente. Sei que não tarda e eu escutarei o pí pí pí do despertador entrar dentro dos meus miolos, e trazer-me da forma mais cruel possível ao meu cotidiano.
Inevitavelmente penso no tempo que escorre por entre esses meus dias, que se colocados frente a frente, refletiriam-se sem ruído algum; feito espelhos.
Procuro em agonia, por entre aquelas manchinhas de reboco mal feito, aquilo que roubou de mim o que um dia eu tive de essencial. Eu quero a resposta prá minha pergunta e um remédio prá dar jeito nessa minha decadência, que se afirma na estaticidade das coisas. Porque enquanto tudo vai sob controle e nada de novo acontece, eu vejo a minha vida descer, degrau por degrau, essa escada insossa da mediocridade, e sinto a idade querer me pesar a consciência. Que me deram uma vida a ser escrita, e dela eu fiz uma folha em branco, tão significativa quanto este teto de apartamento alugado, que agora me fita em acusação crescente e me faz querer ver despencar toda essa imensidão alva sob a lacuna que eu sou.
Mas o relógio precipita-se, e inicia sua cantoria matinal irritante. Eu coço os olhos, bocejo, e levanto finalmente.
sábado, dezembro 17, 2005
LOSING MY EDGE.
Com música, prá tentar desvanecer o tédio que esse fim de sábado me propõe.
E ainda sentindo na ponta da língua o gosto roxo que dança entre o não-doce e o amargo; este vinho que sujou a taça agora há pouco, pose. Pose sim, que esta menina tentando segurar a taça direito, fingindo apreciar as nuances que se transmutam naquele líquido, não sou eu.
Estou mais para aquela que se tortura com a própria preguiça, que sabe de tudo que pode deixar de ganhar por pura apatia. Sou aquela que se afirma no que deixa passar, que faz dos erros bandeiras, e ainda assim olha com cara feia pro [auto]rótulo de vítima. Aquilo que dança por entre cordas já mais que bambas, e salta dum extremo ao outro, sem procurar fixar-se em nenhum deles.
Lagriminhas que não são limpadas dos olhos que vêem aquele casal a saltar na neve, uns cabelos azuis a dançar num vento frio, após a conclusão de que, apagar da mente é inútil, quando o coração se repete até o cansaço, até o sofrimento mais insustentável. Sou choro incontido em filmes que falam de Brilhos Eternos e Mentes sem lembranças.
E sou piedade e relativismo hipócritas, explícitos num ranço que mescla contestação e auto-educação. Aqueles tiros que antecedem os créditos, destruidores mas ainda assim não fortes o bastante prá demonstrar o ódio recém descoberto perante àquela Vila de Cachorros.
Voz que fala às paredes, voz que se veste de outros trajes prá não se expor totalmente, voz que se reserva exacerbadamente por motivos que eu mesma desconheço.
Sou egocentrismo, sou umbiguismo. Sou pretensão de encher linhas e linhas com um assunto que, nem a mim interessa verdadeiramente.
Falar de si por falta do que falar.
Falar de si prá falar de algo que [erroneamente] julga-se conhecer por completo.
[É isso, ou podemos todos dançar lambada na frente do computador.]
Com música, prá tentar desvanecer o tédio que esse fim de sábado me propõe.
E ainda sentindo na ponta da língua o gosto roxo que dança entre o não-doce e o amargo; este vinho que sujou a taça agora há pouco, pose. Pose sim, que esta menina tentando segurar a taça direito, fingindo apreciar as nuances que se transmutam naquele líquido, não sou eu.
Estou mais para aquela que se tortura com a própria preguiça, que sabe de tudo que pode deixar de ganhar por pura apatia. Sou aquela que se afirma no que deixa passar, que faz dos erros bandeiras, e ainda assim olha com cara feia pro [auto]rótulo de vítima. Aquilo que dança por entre cordas já mais que bambas, e salta dum extremo ao outro, sem procurar fixar-se em nenhum deles.
Lagriminhas que não são limpadas dos olhos que vêem aquele casal a saltar na neve, uns cabelos azuis a dançar num vento frio, após a conclusão de que, apagar da mente é inútil, quando o coração se repete até o cansaço, até o sofrimento mais insustentável. Sou choro incontido em filmes que falam de Brilhos Eternos e Mentes sem lembranças.
E sou piedade e relativismo hipócritas, explícitos num ranço que mescla contestação e auto-educação. Aqueles tiros que antecedem os créditos, destruidores mas ainda assim não fortes o bastante prá demonstrar o ódio recém descoberto perante àquela Vila de Cachorros.
Voz que fala às paredes, voz que se veste de outros trajes prá não se expor totalmente, voz que se reserva exacerbadamente por motivos que eu mesma desconheço.
Sou egocentrismo, sou umbiguismo. Sou pretensão de encher linhas e linhas com um assunto que, nem a mim interessa verdadeiramente.
Falar de si por falta do que falar.
Falar de si prá falar de algo que [erroneamente] julga-se conhecer por completo.
[É isso, ou podemos todos dançar lambada na frente do computador.]
segunda-feira, dezembro 12, 2005
[9º Concurso Maldito (é, da outra vez eu me enganei. O último foi o oitavo.). Tema: Desigualdade Social]
Gente.
De minha altura, que certamente prá alguns ultrapassa os meus precisos cento e setenta e três centímetros, essas pessoas me parecem diminuídas. Como se o sofrimento que elas carregam sob as costas fosse tão grande que, aos poucos, os joelhos se curvariam ao peso do martírio e as cabeças inclinariam-se ao chão, denunciando que orgulho ali já não existe; perdeu-se nas esquinas sujas, nas mãos estendidas, nos furtos, nas fomes.
Quando meus cílios pesados de rímel deixam meus olhos abertos, eu vejo olhos cinzas nos rostos dessas pessoas. Vejo uns olhos que parecem pedir desculpa pelo que ainda não foi feito, uns olhos que passeam por todo o meu redor mas nunca miram minhas pupilas diretamente. Eu vejo lágrimas contidas, que, por estarem ali há tanto tempo, acostumaram-se à idéia de nunca irromperem os limites das pálpebras, e congelaram-se, tornando turva a visão e opaco o olhar.
Minhas mãos lisas, que não sabem manusear nada além de canetas e lápis, parecem ofender a aspereza daquelas palmas calejadas, de quem já fez de tudo um pouco e não pôde se dar ao luxo de indagar-se se aquilo ali dava-lhe prazer. Costas de mãos já salgadas de tanto limpar suor de testas, unhas sujas de trabalho e ainda assim, mãos que se postam em oração, prá agradecer o que não há, e suplicar, implorar, mendigar pelo que nunca deveria ter faltado.
Não são só corpos sujos, olhos baixos de vagabundo que não quer trabalhar, mãos ásperas que atrapalham um passeio quando se esticam em pedido. Não são só uma pedra atirada à sua redoma de vidro, ameaçando quebrar sua estabilidade ricamente construída; são corpos, são olhos, são mãos, são, sobretudo, pessoas, injustamente já tão afundadas em desespero, ausência, dor e desgraça.
Gente.
De minha altura, que certamente prá alguns ultrapassa os meus precisos cento e setenta e três centímetros, essas pessoas me parecem diminuídas. Como se o sofrimento que elas carregam sob as costas fosse tão grande que, aos poucos, os joelhos se curvariam ao peso do martírio e as cabeças inclinariam-se ao chão, denunciando que orgulho ali já não existe; perdeu-se nas esquinas sujas, nas mãos estendidas, nos furtos, nas fomes.
Quando meus cílios pesados de rímel deixam meus olhos abertos, eu vejo olhos cinzas nos rostos dessas pessoas. Vejo uns olhos que parecem pedir desculpa pelo que ainda não foi feito, uns olhos que passeam por todo o meu redor mas nunca miram minhas pupilas diretamente. Eu vejo lágrimas contidas, que, por estarem ali há tanto tempo, acostumaram-se à idéia de nunca irromperem os limites das pálpebras, e congelaram-se, tornando turva a visão e opaco o olhar.
Minhas mãos lisas, que não sabem manusear nada além de canetas e lápis, parecem ofender a aspereza daquelas palmas calejadas, de quem já fez de tudo um pouco e não pôde se dar ao luxo de indagar-se se aquilo ali dava-lhe prazer. Costas de mãos já salgadas de tanto limpar suor de testas, unhas sujas de trabalho e ainda assim, mãos que se postam em oração, prá agradecer o que não há, e suplicar, implorar, mendigar pelo que nunca deveria ter faltado.
Não são só corpos sujos, olhos baixos de vagabundo que não quer trabalhar, mãos ásperas que atrapalham um passeio quando se esticam em pedido. Não são só uma pedra atirada à sua redoma de vidro, ameaçando quebrar sua estabilidade ricamente construída; são corpos, são olhos, são mãos, são, sobretudo, pessoas, injustamente já tão afundadas em desespero, ausência, dor e desgraça.
sábado, dezembro 10, 2005
[Atrasada pro 9º Concurso Maldito, de tema: Contos Malditos.]
Ironia
Clamou pelo pai de todos que estava no céu, e disse ser santo o nome deste. Quis que as alturas descessem, e que fosse feita a sua vontade cá e lá.Como se fosse pouco, ainda pediu o alimento cotidiano, o perdão de suas, também usuais falhas - que pecados ele não acreditava ter - e a proteção contra males e tentações.
Terminou com um Amém, cujo significado desconhecia, apanhou o casaco deixado na cadeira noite passada e saiu; porta afora, madrugada adentro.
Enquanto caminhava, os braços tocando a si mesmos prá remediar o frio, e a cabeça mirando hora o sapato esquerdo, hora o direito, recordava-se de detalhes do serviço que fora-lhe encomendado: "Último ponto da Rua dos Rubros, homem de 47 anos; pele clara, calvo e baixinho. Usando o uniforme da Usina, saltará no Ònibus das três e trinta. Sozinho."
Parecia fácil, em trabalhos assim não era estreante.
Sabia que bastava fazer-se discreto, contar com a ausência de gente que, àquela hora, haveria na rua, e dar graças ao silenciador que tinha em seu revólver.
As passadas firmes ecoavam pela rua, e a frieza de sua alma parecia confrontar-se com a da madrugada. Tinha o semblante tão tranquilo que, não fosse o silêncio que exigia a operação, poderia assoviar.
Havia chegado a seu destino e aproveitou o tronco grosso duma árvore para esconder-se enquanto o ônibus não aparecia por ali, pronto a cuspir pela última vez seu último passageiro.
Segundos depois, o automóvel barulhento e desengonçado fez sua parada final e seguiu rumo à garagem. O homem baixinho saltou como fazia todas as noites, e deixou-se ser ouvido a caminhar sua mesmice cotidiana. Foi a gingar seu corpinho gordo pela calçada, até dar as costas à mira da arma cuja existência desconhcia. Poucas passadas depois, beijou o chão e sangrou pela cabeça.
O dono do disparo já julgava ter cumprido sua missão quando, aos poucos, sentiu o coração descarnar-se de seu corpo. Os ombros pesavam como se ostentassem um piano, e o seu existir ia se apequenando de tal forma, que ele temeu perdê-lo.
Experimentava culpa pela priveira vez na vida, e não podia entender o porque. Se tantas outras vezes já puxara gatilhos e findara existências, não havia motivo prá, agora, ver-se às voltas com toda aquela angústia.
Caminhou até sua vítima numa tentativa inconsciente de buscar, não respostas, e sim mais martírio. Com a ponta dos sapatos, que agora já iam manchados de vermelho escuro, virou as costas do morto para o chão, afim de observar-lhe o rosto.
Sentiu o que ainda lhe sobrara de alma congelar-se, quando reconheceu naquele rosto sem vida traços seus. E amaldiçoou a névoa que a madrugada trazia e a estúpida distância que fora grande o bastante prá confundir-lhe as vistas; mas não o suficiente prá evitar que ele fosse, agora, assassino de seu próprio pai.
"Assassino de meu próprio pai. Assassino de meu próprio pai."
Repetia incessantemente enquanto dobrava-se incrédulo sob os joelhos.
Embasbacado ainda, e tentando livrar-se da insanidade momentânea que ameaçava tomar-lhe, Édipo, em nome do corpo desencarnado à sua frente, Clamou pelo pai de todos que estava no céu, e disse ser santo o nome deste. Quis que as alturas descessem, e que...
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[Notas egocêntricas.]
E, ó.
Eu bem disse que não ia tentar descrever tecnicamente o Show do Pearl Jam.
Mas ainda há uma coisinha jornalística dentro de mim, e eu acabei escrevendo o que talvez, com muita boa vontade, poderiam chamar de resenha.
Uns caracteres a menos, e fundida com o texto duma garota que também foi comigo prá Curitiba, aqui está.
É até curioso ver meu nome assinando outra coisa que não sejam posts nesse blog.
Curioso do jeito bom. :)
E ahhhh! [má que saco, hein Lara?]
Passei prá segunda etapa do vestibular.
E se passo da segunda, ano que vem serei estudante de Letras. :)
E poxa! [inconha! ¬¬]
Hoje é sábado. De notícias boas.
Começo a ficar alegre.
Bom fim de semana, ô gente. :)
Ironia
Clamou pelo pai de todos que estava no céu, e disse ser santo o nome deste. Quis que as alturas descessem, e que fosse feita a sua vontade cá e lá.Como se fosse pouco, ainda pediu o alimento cotidiano, o perdão de suas, também usuais falhas - que pecados ele não acreditava ter - e a proteção contra males e tentações.
Terminou com um Amém, cujo significado desconhecia, apanhou o casaco deixado na cadeira noite passada e saiu; porta afora, madrugada adentro.
Enquanto caminhava, os braços tocando a si mesmos prá remediar o frio, e a cabeça mirando hora o sapato esquerdo, hora o direito, recordava-se de detalhes do serviço que fora-lhe encomendado: "Último ponto da Rua dos Rubros, homem de 47 anos; pele clara, calvo e baixinho. Usando o uniforme da Usina, saltará no Ònibus das três e trinta. Sozinho."
Parecia fácil, em trabalhos assim não era estreante.
Sabia que bastava fazer-se discreto, contar com a ausência de gente que, àquela hora, haveria na rua, e dar graças ao silenciador que tinha em seu revólver.
As passadas firmes ecoavam pela rua, e a frieza de sua alma parecia confrontar-se com a da madrugada. Tinha o semblante tão tranquilo que, não fosse o silêncio que exigia a operação, poderia assoviar.
Havia chegado a seu destino e aproveitou o tronco grosso duma árvore para esconder-se enquanto o ônibus não aparecia por ali, pronto a cuspir pela última vez seu último passageiro.
Segundos depois, o automóvel barulhento e desengonçado fez sua parada final e seguiu rumo à garagem. O homem baixinho saltou como fazia todas as noites, e deixou-se ser ouvido a caminhar sua mesmice cotidiana. Foi a gingar seu corpinho gordo pela calçada, até dar as costas à mira da arma cuja existência desconhcia. Poucas passadas depois, beijou o chão e sangrou pela cabeça.
O dono do disparo já julgava ter cumprido sua missão quando, aos poucos, sentiu o coração descarnar-se de seu corpo. Os ombros pesavam como se ostentassem um piano, e o seu existir ia se apequenando de tal forma, que ele temeu perdê-lo.
Experimentava culpa pela priveira vez na vida, e não podia entender o porque. Se tantas outras vezes já puxara gatilhos e findara existências, não havia motivo prá, agora, ver-se às voltas com toda aquela angústia.
Caminhou até sua vítima numa tentativa inconsciente de buscar, não respostas, e sim mais martírio. Com a ponta dos sapatos, que agora já iam manchados de vermelho escuro, virou as costas do morto para o chão, afim de observar-lhe o rosto.
Sentiu o que ainda lhe sobrara de alma congelar-se, quando reconheceu naquele rosto sem vida traços seus. E amaldiçoou a névoa que a madrugada trazia e a estúpida distância que fora grande o bastante prá confundir-lhe as vistas; mas não o suficiente prá evitar que ele fosse, agora, assassino de seu próprio pai.
"Assassino de meu próprio pai. Assassino de meu próprio pai."
Repetia incessantemente enquanto dobrava-se incrédulo sob os joelhos.
Embasbacado ainda, e tentando livrar-se da insanidade momentânea que ameaçava tomar-lhe, Édipo, em nome do corpo desencarnado à sua frente, Clamou pelo pai de todos que estava no céu, e disse ser santo o nome deste. Quis que as alturas descessem, e que...
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[Notas egocêntricas.]
E, ó.
Eu bem disse que não ia tentar descrever tecnicamente o Show do Pearl Jam.
Mas ainda há uma coisinha jornalística dentro de mim, e eu acabei escrevendo o que talvez, com muita boa vontade, poderiam chamar de resenha.
Uns caracteres a menos, e fundida com o texto duma garota que também foi comigo prá Curitiba, aqui está.
É até curioso ver meu nome assinando outra coisa que não sejam posts nesse blog.
Curioso do jeito bom. :)
E ahhhh! [má que saco, hein Lara?]
Passei prá segunda etapa do vestibular.
E se passo da segunda, ano que vem serei estudante de Letras. :)
E poxa! [inconha! ¬¬]
Hoje é sábado. De notícias boas.
Começo a ficar alegre.
Bom fim de semana, ô gente. :)
segunda-feira, dezembro 05, 2005
Felicidade quando arrancam da gente assim dá raiva, sabe.
Fica-se mais triste pela ausência súbita dela, que pela tristeza do fato propriamente dito.
Dá ódio, na verdade. Muito ódio de ver que alegria é coisa tão, assim, efêmera.
Mas, faz bem saber que há lembranças, e que à elas eu posso me agarrar com a confiança duma criança nos braços de mãe.
Essas vocês não vão diminuir.
[Amanhã deve vir um post de verdade.]
Fica-se mais triste pela ausência súbita dela, que pela tristeza do fato propriamente dito.
Dá ódio, na verdade. Muito ódio de ver que alegria é coisa tão, assim, efêmera.
Mas, faz bem saber que há lembranças, e que à elas eu posso me agarrar com a confiança duma criança nos braços de mãe.
Essas vocês não vão diminuir.
[Amanhã deve vir um post de verdade.]
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