Eu ainda mato aula de manhã prá ficar em casa assistindo videoclipe ruim. Ainda tenho vontade de ouvir 'without you I'm nothing' ao primeiro sinal de que alguma coisa vai dar errado. Me pego pensando em vontades absurdas de voltar a ter 2 anos de idade quando vejo uma criança sentada no carrinho de supermercado.
Eu ainda não sei a resposta prá pergunta mais chata a se fazer em festas familiares [o que você vai ser quando crescer?], ainda tento escrever, tento tocar alguma coisa, ainda acho que rockstar é a melhor profissão do mundo, e que não há idade que amadureça meus ouvidos o suficiente prá me fazer gostar de Pink Floyd ou de qualquer outra "viaja nesse solo, véi" band.
Eu ainda passo esmalte vermelho nas unhas porque acho que tá em tempo, uso listra horizontal mesmo sabendo que engorda, acho que dessa vez eu acerto no corte de cabelo,eu ainda misturo vinho com vodca e acordo com ressaca.
Eu ainda acho que emprego é coisa de gente grande, não sei como eu vim parar aqui, ainda acho que não tenho nada interessante prá contar - mas continuo contando, ainda mantenho o mesmo blog e o mesmo número de telefone.
Na verdade, lá no fundo, eu ainda tenho vergonha de comprar quebra-queixo, e ainda tenho medo de descobrir quais são as coisas, dentre essas tudas, que continuarão me perseguindo por mais uns dez anos.
quinta-feira, setembro 04, 2008
do que fica.
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babaquice.,
comodismo,
nostalgias
sexta-feira, julho 04, 2008
wall.e

Wall.e, provavelmente dizendo: 'eeeeeeeva?!'
Dessa vez a Disney acertou muito a mão junto com a Pixar e fez uma das melhores animações gráficas desde muito tempo [considerando-se muito tempo todo o pequeno histórico das animações realizadas pela parceria Disney-Pixar, que deve ter seu princípio em Toy Story].
Este mérito se torna maior devido ao adendo de o filme ter como personagens principais dois robôs, cuja expressividade corporal é inversamente proporcional ao léxico; Wall.e só diz 'Eeeeva', e Eva só sabe dizer 'Wall.e!'.
Incrivelmente, e eu não sei se a sacada se deu na construção brilhante dos personagens ou na abordagem bem humorada de um tema potencialmente chato [a destruição da terra pelos humanos, o que será do nosso futuro se continuarmos utilizando as sacolinhas plásticas do carrefour, chamem o greenpeace que o bicho tá pegando, e tal], Wall.e funciona muito bem.
A possível monotonia da parte inicial do filme, na qual o robô cujo nome dá título ao filme encontra-se sozinho na Terra há mais de sete mil anos [tadinho. :~] é quebrada por elementos simples, contudo essencias. A baratinha de estimação; o relicário do robô, no qual ele guarda quinquilharias encontradas durante a limpeza de lixo que ele promove diariamente no planeta; as simpáticas interjeições do protagonista, soltadas sempre no tempo correto. São vários os pequenos detalhes responsáveis por conferir ao filme um tom leve, ainda que uma primeira observada na sinopse possa fazer isto parecer difícil.
Em todo o desenrolar da animação, uma perspectiva apocalípitica do futuro é tomada - não aos modos de uma ficção científica pessimista, e sim de forma um pouco mais moralista - mas, de alguma forma, esta abordagem não se assume como o mote principal do filme. Ainda que o pano de fundo pareça muito pesado para a história que pretende sustentar, o carisma dos personagens principais salva Wall.e de se tornar uma espécie de lição de moral para pequenos (e grandes).
Prova - besta - disso é que ninguém sairá do cinema pensando em como a existência humana pode ser nociva para o planeta, e sim imitando o jargão de Wall.e. [by the way, 'eeeeeva!'] Não que eu queira, com isso, afirmar que trata-se de um filme que talvez tenha se pretendido um pouco mais profundo do que consegue alcançar; ocorre que, ainda que trate de temas um pouco mais complexos que o normal, wall.e é, antes de tudo, um filme muito divertido.
[Depois de ter que me enfiar em 10 páginas de pura pretensão cinematográfica prá faculdade, eu merecia escrever qualquer porcaria sobre um filme bobo, só prá poder ser do jeito que eu ainda gosto de fazer.]
quarta-feira, julho 02, 2008
terça-feira, junho 03, 2008
não vou me justificar.
Se o tempo fosse perdido, talvez seria mais fácil dar jeito nessas dilaceradas mansas que a memória crava na minha pele. Porque é a lembrança, este mofo inevitável que se cultiva desde o momento em que se nasce humano, a raiz da minha nostalgia.
Talvez seria melhor me deixar ir nas epilepsias dos esquecimentos forçados, ou apagar as minhas reminiscências doídas de tão bonitas do fundo dos meus olhos, ao invés de me permitir dar cabo a esta obrigação desonesta de confrontar o agora e o antes.
Ainda que os anos de vida não permitam aparecer as minhas rugas, do meu lado avesso pesam rostos músicas falas lugares desfechos e mais tanta coisa que me faz sentir como se não houvesse como tanto tempo assim ter se passado sem que eu percebesse, sem que eu me aprumasse.
Este acúmulo calado de pó que os dias nos garantem - crescer - não é assim tão brando, não importa se com 12 ou com 21 anos. Não importa que tenhamos nosso próprio tempo.
Talvez seria melhor me deixar ir nas epilepsias dos esquecimentos forçados, ou apagar as minhas reminiscências doídas de tão bonitas do fundo dos meus olhos, ao invés de me permitir dar cabo a esta obrigação desonesta de confrontar o agora e o antes.
Ainda que os anos de vida não permitam aparecer as minhas rugas, do meu lado avesso pesam rostos músicas falas lugares desfechos e mais tanta coisa que me faz sentir como se não houvesse como tanto tempo assim ter se passado sem que eu percebesse, sem que eu me aprumasse.
Este acúmulo calado de pó que os dias nos garantem - crescer - não é assim tão brando, não importa se com 12 ou com 21 anos. Não importa que tenhamos nosso próprio tempo.
sexta-feira, maio 16, 2008
well, I wait so long...
Eu gosto da inocência de quem sobe as escadas [porque o elevador tá quebrado] dançando, sem se lembrar que:
1) a louça de ontem tá na pia até hoje. e não é pouca coisa.
2) o quarto parece mais um amontoado de roupas, copos, cremes e papéis do que um próprio quarto.
3) não é assim, tão mais legal, sair da faculdade e dar uma passada no buteco ali da frente. não é assim, tão mais animado. uma cerveja, ultimamente, significa realmente só uma cerveja.
4) é sexta feira, mas aquele clima de 'dancing with myself' e coisetal só rola no mp3 player, mesmo.
5) por mais que pareça emblemático, ter vontade de passar o fim de semana inteiro dentro de casa ao invés de sair prá qualquer canto não é sinal de porra nenhuma senão preguiça.
6) isso não tem a menor importância.
Melhor deixar a playlist animadinha prá daqui umas semanas, meses, encarnações.
Tchau mika, falou billy idol, passa amanhã, B52's.
1) a louça de ontem tá na pia até hoje. e não é pouca coisa.
2) o quarto parece mais um amontoado de roupas, copos, cremes e papéis do que um próprio quarto.
3) não é assim, tão mais legal, sair da faculdade e dar uma passada no buteco ali da frente. não é assim, tão mais animado. uma cerveja, ultimamente, significa realmente só uma cerveja.
4) é sexta feira, mas aquele clima de 'dancing with myself' e coisetal só rola no mp3 player, mesmo.
5) por mais que pareça emblemático, ter vontade de passar o fim de semana inteiro dentro de casa ao invés de sair prá qualquer canto não é sinal de porra nenhuma senão preguiça.
6) isso não tem a menor importância.
Melhor deixar a playlist animadinha prá daqui umas semanas, meses, encarnações.
Tchau mika, falou billy idol, passa amanhã, B52's.
terça-feira, abril 22, 2008
prumamiga.
Ela já esteve em minhas mãos, mas agora sai nos três por quatro com aquela cara de quem ia tentar consertar da última vez e errou todo o caminho até ali de novo. Não que comigo ela achasse o rumo, é quando a gente tinha a nossa companhia prá se perder, a confusão dela parecia tão mais leve, como se soprada após as tragadas de Lucky Strike - era desse que ela gostava, por causa de um texto não-genial mas invejável, de autoria duma beatnik de apartamento paulista.
Não que eu pudesse qualquer dia salvá-la, que amizade de verdade não presta prá isso. Acontece que as pequenas desgraças da vida se dão por osmose: a gente passa um pouco da nossa e pega um pouco da alheia, porque aí, quando se assusta, já nem se sabe mais porque é que dói; só se sabe do talho, e isso aí já é motivo de sobra prá sair passeando pela rua com aquele sorriso amargo e a pretensão de que um dia a gente ri disso tudo.
Não que eu pudesse qualquer dia salvá-la, que amizade de verdade não presta prá isso. Acontece que as pequenas desgraças da vida se dão por osmose: a gente passa um pouco da nossa e pega um pouco da alheia, porque aí, quando se assusta, já nem se sabe mais porque é que dói; só se sabe do talho, e isso aí já é motivo de sobra prá sair passeando pela rua com aquele sorriso amargo e a pretensão de que um dia a gente ri disso tudo.
quarta-feira, abril 16, 2008
querido diário.
As gerais vão quentes, meio amargas, mas eu acho que tudo se conserta no inverno, ou na madrugada de hoje ainda. Um sono bem dormido, talvez a coisa mais útil que eu faça hoje, um fim na procura de algo concreto prá fazer - redenção ao fardo, ao fado também.
Piadinhas escrotas e jogos de palavras, haja pó-de-arroz prá abarcar de uma margem à outra esse hiato assumido. E o gosto amargo das gerais faz sentir como se eu tivesse mastigado a serra do curral inteira dentro da boca. O calor cozinha esse sabor estranho, dilacera mansamente meu paladar, minha falta de vergonha na cara, meu completo vazio de assunto.
Já foi mais doce, se foi... mas talvez agora seja mais real, já que é mais traiçoeiro.
Eu vou é desconfiar de dentro de todos os limites que me circunscrevem às minas; quiçá eu até vou cortar fumo e espiar da beirada da minha calçada, como sugere a propaganda da Telemig Celular.
Nada disso. Eu vou é dormir, que essa voz que vem da sala da tv me cansa mais que eu mesma, e olha que eu tô variando.
Piadinhas escrotas e jogos de palavras, haja pó-de-arroz prá abarcar de uma margem à outra esse hiato assumido. E o gosto amargo das gerais faz sentir como se eu tivesse mastigado a serra do curral inteira dentro da boca. O calor cozinha esse sabor estranho, dilacera mansamente meu paladar, minha falta de vergonha na cara, meu completo vazio de assunto.
Já foi mais doce, se foi... mas talvez agora seja mais real, já que é mais traiçoeiro.
Eu vou é desconfiar de dentro de todos os limites que me circunscrevem às minas; quiçá eu até vou cortar fumo e espiar da beirada da minha calçada, como sugere a propaganda da Telemig Celular.
Nada disso. Eu vou é dormir, que essa voz que vem da sala da tv me cansa mais que eu mesma, e olha que eu tô variando.
segunda-feira, março 17, 2008
this is (not) the end, my only friend.
Por um tempo eu pensei que havia sido trapaça técnica, e que, portanto, era hora de acabar com isso aqui de uma vez - do jeito menos poético e menos suicida. Mas, agora tudo parece já estar certo, e mesmo assim eu tenho postergado o meu confronto com essa janelinha em branco por tempos...
Talvez a vontade e a falta de vergonha na cara acabem mesmo uma hora, mas eu não tenho os culhões necessários prá admitir que uma hora essas coisas perdem o sentido.
Eu sei, muito bem, fazer isso. Continuarei adiando, até que outro bloqueio do servidor - muito mais sensato que eu - ponha nisso um fim verdadeiro.
Talvez a vontade e a falta de vergonha na cara acabem mesmo uma hora, mas eu não tenho os culhões necessários prá admitir que uma hora essas coisas perdem o sentido.
Eu sei, muito bem, fazer isso. Continuarei adiando, até que outro bloqueio do servidor - muito mais sensato que eu - ponha nisso um fim verdadeiro.
segunda-feira, novembro 26, 2007
acaba, ano.
... e depois que eu acabar toda essa porcaria que me restou prá fazer, assim que eu tirar o mofo do fundo dos copos e do sangue dos morangos, eu vou me deitar num macio qualquer e encarar o teto por exatas duas horas, só contemplando o meu ócio e pensando em cada coisa que eu não tenho mais que fazer.
Mas antes de pegar a bolsa e trancar a porta com a chave do lado de dentro, eu vou ligar prá tua casa de madrugada e te acordar com out on the weekend bem na parte da gaita entrando prá dentro da sua cabeça, até você retomar a consciência e tentar adivinhar quem é que poderia estar do outro lado da linha, e daí cogitar - com pretensões de sonâmbulo decidido - colocar todas as suas coisas no porta-malas de um carro qualquer [porque pickup é só pro neil] e me sequestrar prá sempre, por dois dias.
Mas antes de pegar a bolsa e trancar a porta com a chave do lado de dentro, eu vou ligar prá tua casa de madrugada e te acordar com out on the weekend bem na parte da gaita entrando prá dentro da sua cabeça, até você retomar a consciência e tentar adivinhar quem é que poderia estar do outro lado da linha, e daí cogitar - com pretensões de sonâmbulo decidido - colocar todas as suas coisas no porta-malas de um carro qualquer [porque pickup é só pro neil] e me sequestrar prá sempre, por dois dias.
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