[Retrato] (não necessariamente pra Iaiá.)
Que a perna dele, suja e peluda, entrelaçava as coxas dela, não menos sujas, contudo menos peludas, isso eu via. Mas o cheiro de mijo e marginalidade que aquele enlace exalava, isso aí era coisa de se sentir.
Os ossos das costas pareciam querer furar a camisa amarela da mulher e fugir prá outro lugar - eram alvos demais prá suportar tanta imundície - mas uma mão de nós calejados e textura áspera os acariciava, como se dissesse que ficassem por ali mesmo, que era lugar conhecido há tempos, que era onde eles cabiam direito.
Havia olhos - se há contato eles sempre estão lá - e eles se encontravam. Dum brilho meio fosco, não admira que fossem cinza, dum reflexo de insanidade abandonada tempos atrás [ou horas, ou anos.]. E se as pupilas perdidas umas nas outras diziam algo, a cortina de sujeira que os separavam do resto do mundo não permitia distinguir o que era.
Se demoravam e se namoravam ali, em quarto se mquatro paredes, em cama de cobertor roto - e só o cobertor. E era como se calados e perdidos na desgraça um do outro se encontrassem, prá tornar a se perder do mundo que os cospe os rejeita porque eles não são limpos e decentes como convém.
Da sujeira que se encaixava como vingança e contestação involuntária. Do amor ou da conveniência - isso aí não me deixaram perceber. Dum casal abraçado no chão da praça. Disso tudo eu fiz um retrato.
terça-feira, setembro 06, 2005
domingo, setembro 04, 2005
Mais com ele, em mais ócio no msn.
Dessa vez a gente se resolveu pelos microcontos, e, manteve o limite de cinquenta caracteres por cada.
[É bem verdade que acho que ultrapassei algumas letrinhas em algum destes. Mas, ninguém morre por isso, né mesmo?]
Na espera
Cheiro bom fugia da cozinha
Fome escorre pelos olhos do tio
Bobalegre
Suor dor fome e... sorriso.
É que eu ando com felicite aguda.
Pedra no espelho
Pedante que é pedante
Disfarça o gosto por isso
Suicida
Corpo no chão e veneno do lado.
Será que não sabia que era pra rato?
Roedor
Vão se as unhas
Ficam os dedos
Fábula de quem não teve infância
U cuelu filiz tlavessava a lua
Veiu calu e fez plófff!
(...)
Some Viagra, Please (ou "Aquele do coelinho")
Vai ser bom, não foi, querida?
Fantasista
Viu o mar pela janela
Mergulhou...
Esqueceu da avenida
O vaso quebrou
É fato
Parnasianos
nunca comeram ninguém
Ah, a maternidade!
Acordou de madrugada com o choro do bebê.
(...)
- Maldita pílula de farinha.
Shit happens
- Enfim o porquê da exist...
Pá!
- Lugar de doutô num é no Rio
Verdade
Pior que explicar piada
É explicar micro-conto
Casas Pernambucanas
- Quem bate?
- É o frio...
E caiu de susto com a voz.
Saudosismo nerd
/compuserv set icq sound mode "on"
Infância anos 90
/msdos
/c:
/jogos
/supermario
/exe
Loser
De pequeno,
nunca peguei a Carmen Sandiego
Zóio prêto
Sangue do naíz
Láguima no zói
- Quem quié cupado?
- O zoto, mãe!
Perú no bum-bum (ou "Palhaço pedófilo")
Tudo começou com a bitoca no nariz.
E saiu pela porta a cantar
I know, it's only tchu-tchu-tchu
But I like it!
[E se eu disser que é a terceira vez que Don´t lie, do Black Eyed Peas roda por aqui, eu mereço uma pedra no meio da testa? Ainda acho que vale especificar que não, eu não me rebaixei ao ponto de baixar a mp3 dessa música. Na questão de manter um pouquinho de minha compostura, a rádio Terra tem me ajudado.]
Dessa vez a gente se resolveu pelos microcontos, e, manteve o limite de cinquenta caracteres por cada.
[É bem verdade que acho que ultrapassei algumas letrinhas em algum destes. Mas, ninguém morre por isso, né mesmo?]
Na espera
Cheiro bom fugia da cozinha
Fome escorre pelos olhos do tio
Bobalegre
Suor dor fome e... sorriso.
É que eu ando com felicite aguda.
Pedra no espelho
Pedante que é pedante
Disfarça o gosto por isso
Suicida
Corpo no chão e veneno do lado.
Será que não sabia que era pra rato?
Roedor
Vão se as unhas
Ficam os dedos
Fábula de quem não teve infância
U cuelu filiz tlavessava a lua
Veiu calu e fez plófff!
(...)
Some Viagra, Please (ou "Aquele do coelinho")
Vai ser bom, não foi, querida?
Fantasista
Viu o mar pela janela
Mergulhou...
Esqueceu da avenida
O vaso quebrou
É fato
Parnasianos
nunca comeram ninguém
Ah, a maternidade!
Acordou de madrugada com o choro do bebê.
(...)
- Maldita pílula de farinha.
Shit happens
- Enfim o porquê da exist...
Pá!
- Lugar de doutô num é no Rio
Verdade
Pior que explicar piada
É explicar micro-conto
Casas Pernambucanas
- Quem bate?
- É o frio...
E caiu de susto com a voz.
Saudosismo nerd
/compuserv set icq sound mode "on"
Infância anos 90
/msdos
/c:
/jogos
/supermario
/exe
Loser
De pequeno,
nunca peguei a Carmen Sandiego
Zóio prêto
Sangue do naíz
Láguima no zói
- Quem quié cupado?
- O zoto, mãe!
Perú no bum-bum (ou "Palhaço pedófilo")
Tudo começou com a bitoca no nariz.
E saiu pela porta a cantar
I know, it's only tchu-tchu-tchu
But I like it!
[E se eu disser que é a terceira vez que Don´t lie, do Black Eyed Peas roda por aqui, eu mereço uma pedra no meio da testa? Ainda acho que vale especificar que não, eu não me rebaixei ao ponto de baixar a mp3 dessa música. Na questão de manter um pouquinho de minha compostura, a rádio Terra tem me ajudado.]
quinta-feira, setembro 01, 2005
Clarice. Aurélio.
- Prá mim? Pouco me importa. É que nem aquele poema do Pessoa, sabe qual?
- Tá vendo? É isso que me irrita em você! Essa mania de não levar um assunto adiante, esse seu jeito de sempre sair pelas beradas! "Diálogo de referência" e eu aqui, de mala na mão te dizendo que vou embora. Hunf.
(Ele desvia os olhos do livro que estava em suas mãos e leva-os até a mala postada no chão ao lado de um par de pés. Sobe o olhar calmamente até fixá-lo nos outros dois olhos que estavam na sala.)
- Tô saindo pelas beiradas não. É que realmente não me importa. É sua a vontade de ir? Porta e rua, tchau e bença. Coisa chata é estar-se preso por falta de vontade. Porque, se for daquele jeito que o Camões coloca, a história é outra, cê num acha?
(Ela bufa e faz levantar uma mecha de seu cabelo, que sobe até a altura dos olhos prá, em seguida, voltar rapidinho a seu lugar.)
- Sempre bancando o forte, né? Vai dizer que não te dói aí dentro saber que eu vou e não volto, que lá fora eu me arranjo com outro, que aí eu não vou ser mais só sua.
(Ele pensa por um breve segundo e segue com os olhos ainda no livro.)
- Hum... Só me incomodo de ter de dormir sozinho. Tem feito frio por aqui, sabe. Mas, quanto ao que você fará, é teu o corpo, não meu. Além do que, em relação a ciúme você sabe que eu nunca fui nenhum Bentinho, né?
- Ah não, não. Pára Aurélio. Pára logo, antes que você comece a tagarelar sobre esse tal Dom Masmurro outra vez.
- Masmurro não, Clarice; É Casmurro, com cê.
- Bah! Que seja! Isso só faz diferença prá você, que vive esses livros, que vive dentro deles e esquece daquilo que conquistou aqui, fora das páginas. Você não percebe a gravidade das coisas? Eu sou a sua menina, poxa. Eu te amo, você tem um compromisso a zelar comigo! Não é possível que você seja tão frio!
- Ííí... Lá vem você com esse papo de "Pequeno Príncipe" outra vez. "Tu te tornas responsável por aquilo que cativas e blá blá blá..." Já te falei, Clarice. Isso é livro de Miss, isso é sub-literatura. Cê não pode levar essas coisas tão a sério...
(Clarice olha no fundo dos olhos de Aurélio e sente a raiva tornar rubras as suas bochechas. Um fio gelado se escorre por uma linha que vai da nuca às suas costas, e as pernas deixam de se firmar com precisão. Ela Salta no sofá e, depois de puxar os cabelos, socar o estômago, arranhar o rosto e estapear Aurélio - não sem soltar gritos e urros e uivos - , toma o livro que ele tinha em mãos e começa a rasgar as páginas e jogá-las pro alto, pros lados, pro chão, pra si. Ao se cansar, sem dizer mais palavra, apanha a mala do chão, passa da porta e ganha a rua.)
(Aurélio permanece sentado no sofá, contemplando pelo chão da sala os destroços a que se reduziu seu livrinho de bolso. Suspira pesadamente, e apoia a cabeça na mão direita.)
- É, até que eu gostava dela. Tinha alguma coisa, que eu nunca soube bem o que, mas que me lembrava insistentemente a Lispector...
- Prá mim? Pouco me importa. É que nem aquele poema do Pessoa, sabe qual?
- Tá vendo? É isso que me irrita em você! Essa mania de não levar um assunto adiante, esse seu jeito de sempre sair pelas beradas! "Diálogo de referência" e eu aqui, de mala na mão te dizendo que vou embora. Hunf.
(Ele desvia os olhos do livro que estava em suas mãos e leva-os até a mala postada no chão ao lado de um par de pés. Sobe o olhar calmamente até fixá-lo nos outros dois olhos que estavam na sala.)
- Tô saindo pelas beiradas não. É que realmente não me importa. É sua a vontade de ir? Porta e rua, tchau e bença. Coisa chata é estar-se preso por falta de vontade. Porque, se for daquele jeito que o Camões coloca, a história é outra, cê num acha?
(Ela bufa e faz levantar uma mecha de seu cabelo, que sobe até a altura dos olhos prá, em seguida, voltar rapidinho a seu lugar.)
- Sempre bancando o forte, né? Vai dizer que não te dói aí dentro saber que eu vou e não volto, que lá fora eu me arranjo com outro, que aí eu não vou ser mais só sua.
(Ele pensa por um breve segundo e segue com os olhos ainda no livro.)
- Hum... Só me incomodo de ter de dormir sozinho. Tem feito frio por aqui, sabe. Mas, quanto ao que você fará, é teu o corpo, não meu. Além do que, em relação a ciúme você sabe que eu nunca fui nenhum Bentinho, né?
- Ah não, não. Pára Aurélio. Pára logo, antes que você comece a tagarelar sobre esse tal Dom Masmurro outra vez.
- Masmurro não, Clarice; É Casmurro, com cê.
- Bah! Que seja! Isso só faz diferença prá você, que vive esses livros, que vive dentro deles e esquece daquilo que conquistou aqui, fora das páginas. Você não percebe a gravidade das coisas? Eu sou a sua menina, poxa. Eu te amo, você tem um compromisso a zelar comigo! Não é possível que você seja tão frio!
- Ííí... Lá vem você com esse papo de "Pequeno Príncipe" outra vez. "Tu te tornas responsável por aquilo que cativas e blá blá blá..." Já te falei, Clarice. Isso é livro de Miss, isso é sub-literatura. Cê não pode levar essas coisas tão a sério...
(Clarice olha no fundo dos olhos de Aurélio e sente a raiva tornar rubras as suas bochechas. Um fio gelado se escorre por uma linha que vai da nuca às suas costas, e as pernas deixam de se firmar com precisão. Ela Salta no sofá e, depois de puxar os cabelos, socar o estômago, arranhar o rosto e estapear Aurélio - não sem soltar gritos e urros e uivos - , toma o livro que ele tinha em mãos e começa a rasgar as páginas e jogá-las pro alto, pros lados, pro chão, pra si. Ao se cansar, sem dizer mais palavra, apanha a mala do chão, passa da porta e ganha a rua.)
(Aurélio permanece sentado no sofá, contemplando pelo chão da sala os destroços a que se reduziu seu livrinho de bolso. Suspira pesadamente, e apoia a cabeça na mão direita.)
- É, até que eu gostava dela. Tinha alguma coisa, que eu nunca soube bem o que, mas que me lembrava insistentemente a Lispector...
segunda-feira, agosto 29, 2005
Catártico
Parco porco presto e morto
Posto fosco
Escravo fraco
Frágil a voar por entre correntes duplas e compotas de putas frescas e macias e tenras
Por noites escuras a achar que é gente
Por ruas frias a pensar que é potro
A correr a galopar e tropeçar e tropeçar
Sangue misturado ao vômito e suor e ranho e porra e escória escorre pelas pernas
E a sanidade vai como mijo pela cueca
E se é e se não é
E se pode não balança com as patas na'lgibeira
Embriagado de luar a imaginar o mar que nunca viu nem nunca virá enquanto passagem for coisa de burguês
Mergulha
Em feiúra quando diz que é
Duplo
(e)
Mergulha
Em dobro
Mergulha
Mais de uma vez
Mergulha
(aos montes)
Mas volta seco de pó
Secado em feiúra
Pecado
De impuro de incasto de inútil
Flagelo
Na pele tem talho de ato
Falho sempre ao tentar ser errôneo
Um lado de culpa e outro de dedo que aponta
Busca solução e torna a mergulhar na feiúra de
Achar que estava em Drummond em Bandeira em Rodrigues em Lispector e se viu no espelho
Nu como o mais nu dos nus
Cheio de pêlos que pelos peitos escorriam como se quisessem fugir pelos ombros
(que não suportam um mundo, nem ao menos uma farpa de mundo)
E se fosse homem se fosse forte se fosse alguém
(alguém de algum país de alguma cidade de alguma rua de alguma casa)
Se fosse alguém teria dado cabo ao cabo
Enrolado no pescoço e jogado pela janela
Mas não é ninguém é dos fracos não é macho
(e nem sabe onde é que fica e quem paga e quem habita a casa em que dorme todo dia)
Não há cacife para acabar com coisa nenhuma
Quem dirá com esse martírio que chamam de vida e que empurram como se dele fosse
Infecundo feto de um mundo que gira noite e dia
E as horas passam como o trem que passa todo dia às oito horas a acordar os pobres que foderam a noite inteira
E como tratores esmagam qualquer pio de diferença e brilho
E todo moralismo recai sobre o chapéu do sertanejo deslocado no êxodo de sessenta e seis
E não é apatia falta de propósito ou de tentativa
É que o que é se escancara demais e persegue até no canto mais teu em que se busca esconder
O cotidiano não se solta dos olhos, só salta até eles
Do menino que acata às ordens de se segurar dentro do ônibus, do sopapo que a puta levou no pé do ouvido, das mãos sujas e da mente leve do despudorado
Da vida não se escapa
E pelo tempo a escoar as rugas a nascer e esfarelar ossos e prédios
Por esgotos a cair e levar pura merda com pedaços de milho amarelo-ouro
Comendo banana-maçã e laranja-pêra a imaginar quão doce era a p a m o n h a f r e s q u i n h a p a m o n h a da infância no norte
Com o eterno fardo da vida
Deu o tiro e não morreu
Lara Spagnol e Rafael Romero
[Conversas de Msn no domingo à noite às vezes dão frutos.]
Parco porco presto e morto
Posto fosco
Escravo fraco
Frágil a voar por entre correntes duplas e compotas de putas frescas e macias e tenras
Por noites escuras a achar que é gente
Por ruas frias a pensar que é potro
A correr a galopar e tropeçar e tropeçar
Sangue misturado ao vômito e suor e ranho e porra e escória escorre pelas pernas
E a sanidade vai como mijo pela cueca
E se é e se não é
E se pode não balança com as patas na'lgibeira
Embriagado de luar a imaginar o mar que nunca viu nem nunca virá enquanto passagem for coisa de burguês
Mergulha
Em feiúra quando diz que é
Duplo
(e)
Mergulha
Em dobro
Mergulha
Mais de uma vez
Mergulha
(aos montes)
Mas volta seco de pó
Secado em feiúra
Pecado
De impuro de incasto de inútil
Flagelo
Na pele tem talho de ato
Falho sempre ao tentar ser errôneo
Um lado de culpa e outro de dedo que aponta
Busca solução e torna a mergulhar na feiúra de
Achar que estava em Drummond em Bandeira em Rodrigues em Lispector e se viu no espelho
Nu como o mais nu dos nus
Cheio de pêlos que pelos peitos escorriam como se quisessem fugir pelos ombros
(que não suportam um mundo, nem ao menos uma farpa de mundo)
E se fosse homem se fosse forte se fosse alguém
(alguém de algum país de alguma cidade de alguma rua de alguma casa)
Se fosse alguém teria dado cabo ao cabo
Enrolado no pescoço e jogado pela janela
Mas não é ninguém é dos fracos não é macho
(e nem sabe onde é que fica e quem paga e quem habita a casa em que dorme todo dia)
Não há cacife para acabar com coisa nenhuma
Quem dirá com esse martírio que chamam de vida e que empurram como se dele fosse
Infecundo feto de um mundo que gira noite e dia
E as horas passam como o trem que passa todo dia às oito horas a acordar os pobres que foderam a noite inteira
E como tratores esmagam qualquer pio de diferença e brilho
E todo moralismo recai sobre o chapéu do sertanejo deslocado no êxodo de sessenta e seis
E não é apatia falta de propósito ou de tentativa
É que o que é se escancara demais e persegue até no canto mais teu em que se busca esconder
O cotidiano não se solta dos olhos, só salta até eles
Do menino que acata às ordens de se segurar dentro do ônibus, do sopapo que a puta levou no pé do ouvido, das mãos sujas e da mente leve do despudorado
Da vida não se escapa
E pelo tempo a escoar as rugas a nascer e esfarelar ossos e prédios
Por esgotos a cair e levar pura merda com pedaços de milho amarelo-ouro
Comendo banana-maçã e laranja-pêra a imaginar quão doce era a p a m o n h a f r e s q u i n h a p a m o n h a da infância no norte
Com o eterno fardo da vida
Deu o tiro e não morreu
Lara Spagnol e Rafael Romero
[Conversas de Msn no domingo à noite às vezes dão frutos.]
sexta-feira, agosto 26, 2005
Ês vem mãe! Ês vem sim!

"Tá bom, tá bom. A gente toca no Brasil, já que vocês insistem."
Eu já não acreditava que fosse ser possível não. Pra mim, Garota de Ipanema no site oficial era obra do acaso, e boatos eram só boatos mesmo.
Mas ontem o Seu Lulu confirmou. O negócio é verdade.
O Pearl Jam vem ao Brasil em Dezembro, e toca em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba.
Vocês não tão vendo a minha cara não, né?
Então eu descrevo. Meio que um sorriso de orelha a orelha, de quem não sabe como vai ou como volta, com o que paga o ingresso e nem com que forças vai aguentar a ansiedade, mas que vai ver A banda, e pronto acabou.
"Tá bom, tá bom. A gente toca no Brasil, já que vocês insistem."
Eu já não acreditava que fosse ser possível não. Pra mim, Garota de Ipanema no site oficial era obra do acaso, e boatos eram só boatos mesmo.
Mas ontem o Seu Lulu confirmou. O negócio é verdade.
O Pearl Jam vem ao Brasil em Dezembro, e toca em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba.
Vocês não tão vendo a minha cara não, né?
Então eu descrevo. Meio que um sorriso de orelha a orelha, de quem não sabe como vai ou como volta, com o que paga o ingresso e nem com que forças vai aguentar a ansiedade, mas que vai ver A banda, e pronto acabou.
quarta-feira, agosto 24, 2005
A abertura do Indie [Mostra de Cinema Mundial que acontece aqui em Bh e exibe gratuitamente trocentos filmes de vários países ] foi hoje, e eu, pobre e interessada por cinema que sou, fui lá na Praça da Liberdade pra ver do que se tratava.
Esperava ver algo bom, mas não tão bom quanto Casa Vazia, que foi o filme exibido hoje.

[:~]
Não sei bem se todo o diferencial que me prendeu tanto a atenção vem do fato de o diretor [Kim Ki-duk] e o filme serem Coreanos, mas afirmo que, pelo menos entre tudo o que eu assisti esse ano, Casa Vazia se destaca como uma das melhores e mais bonitas coisas.
Trilha sonora, fotografia, roteiro, as atuações... tudo consegue se distanciar do óbvio sem deixar de ser simples, encantador.
Não vou entrar em detalhes aqui, como o riso bobo que brotou na minha cara durante certas partes da exibição, ou o fato de que eu segurei pra não me deixar chorar no meio de uma praça pública.
O fato é que, se o nível do Indie é todo esse, eu não quero perder nem meia sessão.
Esperava ver algo bom, mas não tão bom quanto Casa Vazia, que foi o filme exibido hoje.
[:~]
Não sei bem se todo o diferencial que me prendeu tanto a atenção vem do fato de o diretor [Kim Ki-duk] e o filme serem Coreanos, mas afirmo que, pelo menos entre tudo o que eu assisti esse ano, Casa Vazia se destaca como uma das melhores e mais bonitas coisas.
Trilha sonora, fotografia, roteiro, as atuações... tudo consegue se distanciar do óbvio sem deixar de ser simples, encantador.
Não vou entrar em detalhes aqui, como o riso bobo que brotou na minha cara durante certas partes da exibição, ou o fato de que eu segurei pra não me deixar chorar no meio de uma praça pública.
O fato é que, se o nível do Indie é todo esse, eu não quero perder nem meia sessão.
segunda-feira, agosto 22, 2005
Dia 36
Esquece não, pensa mais.
Olha prá tua sombra que te segue no chão - e nunca te deixará - assim como teus erros sutis, tua culpa que faz esses olhos mirarem... a tua sombra que te segue no chão.
Um ladrilho colorido e todo aquele cinza. Flap-flap-flap dos chinelinhos amarelos que, malditos, parecem cantar aquilo que você não devia ter feito mas fez - A vergonha estampada na falta de coragem pra erguer o rosto que clama por soco tapa cuspe.
É, um tapa na cara não seria de todo mal, e por hora soa desejável. Por hora soa desejável. Não eu, não eu, tsc tsc, eu não. Merece um cuspe no meio da testa aquele que me disse vulgaridades impensadas, grunhidas, dispensáveis.
Não fosse toda essa fraqueza. Toda essa necessidade de que me tirem antes o copo da mão, de que me empurrem pra fora do alvo.
Amanhã não é dia 26 mas, quem sabe vive outra vez, e tira de mim um pouco de toda essa vida que embaça meu olhar.
As lembranças, eu prefiro existir sem, e deixar na minha mente só o brilho eterno.
Mas aí o caminho já era de volta e eu sem soco tapa cuspe resposta. Só as lembranças que eu não queria ter.
Mas, não é mais dia 23, e tudo começa outra vez.
Esquece, não pensa mais.
[Escancarado assim cês ainda não viram, né? Entam ouçam Dia 36 d´Os Mutantes. Ou num ouçam.]
Esquece não, pensa mais.
Olha prá tua sombra que te segue no chão - e nunca te deixará - assim como teus erros sutis, tua culpa que faz esses olhos mirarem... a tua sombra que te segue no chão.
Um ladrilho colorido e todo aquele cinza. Flap-flap-flap dos chinelinhos amarelos que, malditos, parecem cantar aquilo que você não devia ter feito mas fez - A vergonha estampada na falta de coragem pra erguer o rosto que clama por soco tapa cuspe.
É, um tapa na cara não seria de todo mal, e por hora soa desejável. Por hora soa desejável. Não eu, não eu, tsc tsc, eu não. Merece um cuspe no meio da testa aquele que me disse vulgaridades impensadas, grunhidas, dispensáveis.
Não fosse toda essa fraqueza. Toda essa necessidade de que me tirem antes o copo da mão, de que me empurrem pra fora do alvo.
Amanhã não é dia 26 mas, quem sabe vive outra vez, e tira de mim um pouco de toda essa vida que embaça meu olhar.
As lembranças, eu prefiro existir sem, e deixar na minha mente só o brilho eterno.
Mas aí o caminho já era de volta e eu sem soco tapa cuspe resposta. Só as lembranças que eu não queria ter.
Mas, não é mais dia 23, e tudo começa outra vez.
Esquece, não pensa mais.
[Escancarado assim cês ainda não viram, né? Entam ouçam Dia 36 d´Os Mutantes. Ou num ouçam.]
sexta-feira, agosto 19, 2005
Sobre estudantes de jornalismo indecisos
Então.
Depois de fazer drama, rolar na cama à noite, fazer de "eu não sei" uma das expressões mais recorrentes no meu discurso, imaginar um milhão de possibilidades e desfechos, desentender-me comigo mesma e me embaralhar nas minhas próprias pernas [entre outras muitas coisas que caracterizam uma pessoa indecisa], eu acabei optando por isso aí, ó. [Não o fotolog, seu besta. E sim o que está postado lá.]
Não estou segura de nada, mas eu gostaria que tudo desse certo e eu me visse satisfeita no final das contas.
Sorte? Eu gostaria que vocês desejassem, apesar do ceticismo habitual. =}
___________________________________________
Sobre Publicitários imbecis
Não que eu odeie toda a corja daqueles que estudam as filhadaputices do mundo da propaganda, não é isso. E também não vem ao caso a insistência destes em chamar de arte aquilo que intenciona vender a [falsa] materialização de seu desejo.
O comentário hoje é sobre aqueles que se destinam a área de cosméticos, especificamente de produtos pra cabelos.
Pois bem. É fato que o meu cabelo não é daqueles que basta enfiar embaixo do chuveiro, passar sabão de coco, pentear com pente fino e pronto acabou. Muito, muito, muuuuuuito pelo contrário, até. Mas não é por isso que eu preciso ir ao supermercado e dar de cara com um Condicionador com Efeito Anti-Palha na minha frente. Poxa vida. O "Para cabelos secos, danificados e quebradiços" [leia-se, para aqueles que possuem espigas de milho secas ao invés de fios de cabelo na cabeça] eu posso aguentar, eu levo numa boa. Mas Efeito Anti-Palha? É demais pra mim.
Fico a pensar se o tal publicitário dessa marca nunca estudou nada sobre auto estima alheia, ou simplesmente quais termos se deve e quais não se deve usar no rótulo de um produto.
Apesar de ferida no orgulho e tudo mais, eu ia levando o tal condicionador. [É dos bons, apesar de ter a embalagem feita por um publicitário-asno.] Então, eis que chego na prateleira da frente, a dos cremes pra pentear - tô falando que o cabelo é dos danados - e me deparo com coisa pior.
*Arram* "Você adoraria prolongar aquele momento mágico do seu cabelo, quando ele está entre úmido e seco, e parece estar mais longo, os cachos definidos e o volume controlado? Nós descobrimos o segredo desse momento mágico e blá blá blá..."
¬¬
Tô dizendo, os tais publicitários dessa área são tipos acéfalos. Quando não pensam que as pessoas não tem amor próprio, já vão achando que são todos tão retardados quanto eles.
"Momento mágico"? E eu que nem sabia que isso existia.
Mas, então.
Após o momento papo de cabeleireiro, vou ali fazer a unha.
Espero que tenha Caras pra ler e não deixar escapar essa catarse de futilidade.
Então.
Depois de fazer drama, rolar na cama à noite, fazer de "eu não sei" uma das expressões mais recorrentes no meu discurso, imaginar um milhão de possibilidades e desfechos, desentender-me comigo mesma e me embaralhar nas minhas próprias pernas [entre outras muitas coisas que caracterizam uma pessoa indecisa], eu acabei optando por isso aí, ó. [Não o fotolog, seu besta. E sim o que está postado lá.]
Não estou segura de nada, mas eu gostaria que tudo desse certo e eu me visse satisfeita no final das contas.
Sorte? Eu gostaria que vocês desejassem, apesar do ceticismo habitual. =}
___________________________________________
Sobre Publicitários imbecis
Não que eu odeie toda a corja daqueles que estudam as filhadaputices do mundo da propaganda, não é isso. E também não vem ao caso a insistência destes em chamar de arte aquilo que intenciona vender a [falsa] materialização de seu desejo.
O comentário hoje é sobre aqueles que se destinam a área de cosméticos, especificamente de produtos pra cabelos.
Pois bem. É fato que o meu cabelo não é daqueles que basta enfiar embaixo do chuveiro, passar sabão de coco, pentear com pente fino e pronto acabou. Muito, muito, muuuuuuito pelo contrário, até. Mas não é por isso que eu preciso ir ao supermercado e dar de cara com um Condicionador com Efeito Anti-Palha na minha frente. Poxa vida. O "Para cabelos secos, danificados e quebradiços" [leia-se, para aqueles que possuem espigas de milho secas ao invés de fios de cabelo na cabeça] eu posso aguentar, eu levo numa boa. Mas Efeito Anti-Palha? É demais pra mim.
Fico a pensar se o tal publicitário dessa marca nunca estudou nada sobre auto estima alheia, ou simplesmente quais termos se deve e quais não se deve usar no rótulo de um produto.
Apesar de ferida no orgulho e tudo mais, eu ia levando o tal condicionador. [É dos bons, apesar de ter a embalagem feita por um publicitário-asno.] Então, eis que chego na prateleira da frente, a dos cremes pra pentear - tô falando que o cabelo é dos danados - e me deparo com coisa pior.
*Arram* "Você adoraria prolongar aquele momento mágico do seu cabelo, quando ele está entre úmido e seco, e parece estar mais longo, os cachos definidos e o volume controlado? Nós descobrimos o segredo desse momento mágico e blá blá blá..."
¬¬
Tô dizendo, os tais publicitários dessa área são tipos acéfalos. Quando não pensam que as pessoas não tem amor próprio, já vão achando que são todos tão retardados quanto eles.
"Momento mágico"? E eu que nem sabia que isso existia.
Mas, então.
Após o momento papo de cabeleireiro, vou ali fazer a unha.
Espero que tenha Caras pra ler e não deixar escapar essa catarse de futilidade.
terça-feira, agosto 16, 2005
"Help me if you can, I'm feeling down
And I do appreciate you being round.
Help me, get my feet back on the ground,
Won't you please, please help me.
And now my life has changed in oh so many ways,
My independence seems to vanish in the haze.
But every now and then I feel so insecure..."
O cruel dessa música é que, por trás de guitarrinhas animadas e cantoria feliz, quase que o que a sua letra expressa passa desapercebido.
Se bem que, talvez realmente passe, e só quem ouviu de vozes amigas há pouco tempo coisas tipo "Você tá totalmente perdida, eu nunca te vi assim.", se dê ao trabalho de descortinar a melodia feliz e se apegar ao que essa música traz de desespero.
Poizé. Até que, por hora, as coisas que eu [acho que] queria não são muitas.
Se definem basicamente num gatinho de estimação prá chamar de Arturo, num outro lugar pra morar, e na resposta praquela questão que começa com o-quê-cô-faço e termina com da-minha-vida-interrogação.
Won´t you please, please help me?
And I do appreciate you being round.
Help me, get my feet back on the ground,
Won't you please, please help me.
And now my life has changed in oh so many ways,
My independence seems to vanish in the haze.
But every now and then I feel so insecure..."
O cruel dessa música é que, por trás de guitarrinhas animadas e cantoria feliz, quase que o que a sua letra expressa passa desapercebido.
Se bem que, talvez realmente passe, e só quem ouviu de vozes amigas há pouco tempo coisas tipo "Você tá totalmente perdida, eu nunca te vi assim.", se dê ao trabalho de descortinar a melodia feliz e se apegar ao que essa música traz de desespero.
Poizé. Até que, por hora, as coisas que eu [acho que] queria não são muitas.
Se definem basicamente num gatinho de estimação prá chamar de Arturo, num outro lugar pra morar, e na resposta praquela questão que começa com o-quê-cô-faço e termina com da-minha-vida-interrogação.
Won´t you please, please help me?
domingo, agosto 14, 2005
Há dias em que você acorda e a janela, o painel de fotos e as paredes dançam na frente dos seus olhos. Daí você resolve passar os olhos pelo quarto pra tentar tomar um pouco de consciência [na falta desta, água também ajuda] e vê suas roupas jogadas pelo chão, o que te faz pensar que, "Hey, foi com isso que eu saí ontem a noite.". Em seguida, por coincidência ou não, você percebe que seu hálito é um dos piores que você já sentiu, e sente a cabeça se juntar com o estômago na tentativa de te incomodar.
Nessas horas, mais que nunca, você compreende por inteiro o significado da célebre expressão Vontade de ter outra vida.
E nem todo o Jesus & Maria Correntes [Argh, Lara!] são o suficiente prá tirar a dor e a vergonha sua cabeça, nesses dias.
Eita.
Nessas horas, mais que nunca, você compreende por inteiro o significado da célebre expressão Vontade de ter outra vida.
E nem todo o Jesus & Maria Correntes [Argh, Lara!] são o suficiente prá tirar a dor e a vergonha sua cabeça, nesses dias.
Eita.
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