Passos em regressão a ecoar na bela rua fria. Um fechar-contrário do portão da frente, a porta enfim e as chaves ainda recusando-se a vencer a fechadura - porém não seria agora que até as coisas inanimadas diminuiriam-na.
Atrás da porta não era lugar mais quente que a rua. Havia ali tensão que de tão densa se fazia palpável, tão grande que a comprimia. O lado de dentro e ela prestes a livrar-se do lar que ganhou sem pedir.
Pela sala minúscula as costas adentravam, a cada passo contrário mais pesadas, mais curvas, mais velhas. Os olhos já miravam o chão quando chegaram ao quarto de lençóis rotos e cama pequena demais praquele corpo, franzino contudo mais forte que os músculos de quem costumava deitar-se a seu lado, roncando a preguiça de todo um dia, de toda uma vida. Em sua última olhada àquele corpo gordo a sorver prá dentro de si os ruídos que abafavam o quarto, não conseguiu ser dona de sensação alguma.
Ponta do pé e então o calcanhar; ponta do pé e então o calcanhar, arrastou seu corpo de menina até a cabeceira da cama e lá deixou sua bolsa. De dentro dela, com dedos desajeitados, puxou o pequeno canivete e postou-o sobre o criado-mudo. O Guarda-Roupas a seguir recebia o já puído casaco de grandes botões beges, que deixava ver agora só a camisola de algodão a tapar a pequena silhueta.
De súbito o colchão respondeu ao pouco peso que ali se postava, afundando-se sutilmente, bem como o travesseiro que se amassara com o pesar da cabeça. Antes de cerrarem-se, os olhos fitaram por breves segundos o teto, antecipando o reverso do despertar.
Acontece que ela sonhara que podia ser mulher, que era maior que o teto de seu casebre, que suas mãos não estavam atadas, e ela poderia, sim, ter vontades e idéias. Sonhara que seus olhos eram dum preto vivo, que nunca haviam sido opacados pelas lágrimas. No rosto a pele se livrara daqueles talhos de unhas de dentes de palavras e a boca sabia se abrir em sorrisos.
Acontece que ela sonhara que podia ser gente e finalmente acordou disposta a viver.
[Idéia antiga, que eu não consegui fazer funcionar satisfatoriamente. Ainda assim, taí.]
segunda-feira, março 13, 2006
quarta-feira, março 08, 2006
Brokeback Mountain.
[chorante. :~]
Assisti O Segredo de Brokeback Mountain hoje e não vi um filme gay. Durante as duas horas e mais um pouco que passei no cinema, o que eu contemplei foi a história de um amor proibido, que, justamente por isso, impede aqueles que o consumam de seguirem em frente com suas vidas.
Muitos são os filmes que utilizam esta fórmula como tema principal, contudo, não é o fato de os protagonistas de Brokeback Mountain serem do mesmo sexo que faz deste um filme diferente, e sim o tratamento ao mesmo tempo realista e sutil dispensado ao relacionamento das personagens principais, a belíssima fotografia, as notáveis atuações, a boa direção de Ang Lee, enfim.
O preconceito relacionado a O Segredo de Brokeback Mountain não está dentro das salas de cinema, ou nas torcidas de nariz para as cenas mais explícitas de sexo homossexual; o preconceito encontra-se nos comentários que reduzem esse filme apenas ao relacionamento entre dois cowboys gays, quando este é apenas um detalhe entre tantas outras questões abordadas por um belo filme.
Assistir Brokeback Mountain e rotulá-lo como um filme de temática gay é comprovar a posse de uma mente medíocre, incapaz, tanto de desfazer-se de conceitos ultrapassados, quanto de se enxergar numa história que trata de algo com o qual qualquer ser vivo respirante já se deparou: um amor puro, contudo impossível.
sábado, março 04, 2006
cinco e trintêquatro.
Quando eu olho distraída pela janela e encho os olhos com um céu desses, eu penso que dormir antes do dia ficar claro é besteira.
É besteira, que esse azul claro a se misturar com o laranja dumas nuvens fracas - prestes a tomar corpo com o passar das horas - é presente até pra mais amarga das almas.
É besteira, que sentir o frio de dia novo entrando pela janela e ouvir o silêncio de ruas ainda virgens, é o suficiente pra despertar em mim a vontade de me esvair pela greta das grades desse quarto, e ir tocar o chão fresco do lá-fora.
Talvez eu toparia comigo mesma subindo distraída morros, fazendo sinais prá ônibus, deixando cair as modedinhas da passagem. Talvez esbarrasse com uma Lara a voltar cambaleante prá casa, as sandálias na mão e o cabelo desgrenhado, um sorriso antecedendo a ressaca do dia seguinte. Talvez eu andasse errante por entre caminhos que desconheço, o dedo procurando uma campainha pra tocar, "é cedo, ainda" a martelar a consciência, pés refazendo o caminho prá casa.
Na verdade, só um texto, um dia já azul, a cama aqui do lado.
Boa noite.
É besteira, que esse azul claro a se misturar com o laranja dumas nuvens fracas - prestes a tomar corpo com o passar das horas - é presente até pra mais amarga das almas.
É besteira, que sentir o frio de dia novo entrando pela janela e ouvir o silêncio de ruas ainda virgens, é o suficiente pra despertar em mim a vontade de me esvair pela greta das grades desse quarto, e ir tocar o chão fresco do lá-fora.
Talvez eu toparia comigo mesma subindo distraída morros, fazendo sinais prá ônibus, deixando cair as modedinhas da passagem. Talvez esbarrasse com uma Lara a voltar cambaleante prá casa, as sandálias na mão e o cabelo desgrenhado, um sorriso antecedendo a ressaca do dia seguinte. Talvez eu andasse errante por entre caminhos que desconheço, o dedo procurando uma campainha pra tocar, "é cedo, ainda" a martelar a consciência, pés refazendo o caminho prá casa.
Na verdade, só um texto, um dia já azul, a cama aqui do lado.
Boa noite.
segunda-feira, fevereiro 20, 2006
Ai quent guét nou.
[Eu me pergunto prá onde foi todo aquele sex-appeal do video de Simpathy for the devil.]
Tente visualizar: Um milhão e lá vai pedrada de pessoas numa praia, num mesmo momento dum mesmo dia, assistindo um show gratuito. Adicione à cena apenas mais duas informações, quase que irrelevantes: a praia é Copacabana, no Rio de Janeiro, e o show é dos Rolling Stones, banda que só não tem mais aceitação familiar que o Abba. [Não disfarce, teu pai é fã , tua mãe adora e teu avô balança os ombrinhos quando ouve.]
Quase isso, né?
"O levantamento dos bombeiros inclui ainda 28 afogamentos, um parto, um atropelamento e três pessoas esfaqueadas. A Polícia Militar, por sua vez, registrou apenas um caso de esfaqueamento."
[Um caso óbvio de mistura de cachaça, empolgação ébria, mar e (!) uma mulher grávida de 9 meses. De fato tinha tudo prá dar certo.]
Tem mais:
"O show dos Rolling Stones, que reuniu cerca de 1,3 milhão de pessoas ontem à noite na praia de Copacabana (zona sul do Rio), terminou com 22 casos de crianças perdidas."
[Esse aí eu já não consegui entender. Porque diabos se leva uma criança a um lugar abarrotado de gente fumando/bebendo/cheirando/trepando e outros gerúndios proibidos na novela das 9? Talvez seja o novo método carioca de livrar-se da cria - mais eficiente que a prática do bebê à lagoa, comum aqui em Minas.]
E digo ainda que a polícia se livrou de tarefa mais árdua que resgatar bêbado de mar e fazer serviço de parteira: ter de lidar com a possível morte de algum dos integrantes do Roulim Estones, já que as possibilidades [overdose, infarto, overdose, overdose, derrame, overdose, susto, velhice...] não eram remotas.
Não que eu estivesse praguejando contra quem foi ao show ou coisa do gênero, mas esse monte de gente, numa cidade que não tem lá a melhor reputação, se matando prá ver no palco uns tios que tiveram pique há coisa de três, quatro dêcadas atrás, não me parece muito são não.
Não, não mesmo. Eu já tô satisfeita, obrigada.
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
Admirável mundo novo.
[Para o 17º Concurso Maldito, de tema Cosmogonia]
As pernas iam dobradas, a salientar um joelho que servia de apoio para as mãos. Pouca coisa acima, as coxas antecediam um corpo que se curvava prá acomodar-se ao pequeno espaço. E no que viria a ser o topo do todo, a cabeça encolhia-se em espera confortável.
Ali o tudo ainda era turvo, os sons ainda eram longe; esboços de melodias que, mais tarde, viriam a ser reconhecidas.
Aquela placidez confusa, contudo, dava sinais de sua finitude. As paredes pareciam raivosas ao comprimí-lo daquela maneira, ao tratá-lo como ferida com urgência de ser expurgada: não cabia mais.
Cabeça primeiro. Ombros, tronco, pernas e, por último, pés.
Neste recém universo era luz demais, era muito barulho, era frio que cortava-lhe a pele frágil e ele não sabia o que haveria de fazer.
Experimentou inspirar um pouco de ar com a boca, e estreou seus pulmões e estranhou sua nova vida e quis responder àquilo tudo.
Foi quando, sem surpreender a ninguém, contraiu a pequena face e chorou com a alma, pressentindo ingenuamente toda a vida que ainda iria caber naqueles, poucos centímetros, naquele tiquinho de quilos.
As pernas iam dobradas, a salientar um joelho que servia de apoio para as mãos. Pouca coisa acima, as coxas antecediam um corpo que se curvava prá acomodar-se ao pequeno espaço. E no que viria a ser o topo do todo, a cabeça encolhia-se em espera confortável.
Ali o tudo ainda era turvo, os sons ainda eram longe; esboços de melodias que, mais tarde, viriam a ser reconhecidas.
Aquela placidez confusa, contudo, dava sinais de sua finitude. As paredes pareciam raivosas ao comprimí-lo daquela maneira, ao tratá-lo como ferida com urgência de ser expurgada: não cabia mais.
Cabeça primeiro. Ombros, tronco, pernas e, por último, pés.
Neste recém universo era luz demais, era muito barulho, era frio que cortava-lhe a pele frágil e ele não sabia o que haveria de fazer.
Experimentou inspirar um pouco de ar com a boca, e estreou seus pulmões e estranhou sua nova vida e quis responder àquilo tudo.
Foi quando, sem surpreender a ninguém, contraiu a pequena face e chorou com a alma, pressentindo ingenuamente toda a vida que ainda iria caber naqueles, poucos centímetros, naquele tiquinho de quilos.
segunda-feira, fevereiro 13, 2006
Prá fazer inveja.
As costas doloridas e as mãos insinuando uma leve L.E.R nos tendões. Uma caneca suja de sorvete à esquerda; cd´s e uma placa que se encaixa eu sei lá onde no computador à direita. Pequeno caos. Já passava da hora de sair da frente do computador.
Dei um descanso prá cadeira e, ao passar pela porta, quase tropecei na gata, que, esparramada no chão, miava preguiçosamente como se pedisse, da forma menos exaltada possível, um carinho na barriga.
Mando-a procurar um serviço - carinhosamente, contudo - e continuo a descer as escadas.
Lá embaixo a rede, lá em cima o céu ficando rosa, era dia que findava. Brisa leve, tempo morno. Eu deitei-me e ociei.
____________________________
Porque esses dias eu, de fato, não tenho feito nada. Pensamentos sobre o ódio que eu dedico à Adriane Galisteu, sobre a quantidade de clipes de mano´s que mtv tem exibido, sobre como dias são diferentes quando se acorda bem depois do meio deles, sobre mil outras coisas insossas.
Estar de férias é bom.
Dei um descanso prá cadeira e, ao passar pela porta, quase tropecei na gata, que, esparramada no chão, miava preguiçosamente como se pedisse, da forma menos exaltada possível, um carinho na barriga.
Mando-a procurar um serviço - carinhosamente, contudo - e continuo a descer as escadas.
Lá embaixo a rede, lá em cima o céu ficando rosa, era dia que findava. Brisa leve, tempo morno. Eu deitei-me e ociei.
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Porque esses dias eu, de fato, não tenho feito nada. Pensamentos sobre o ódio que eu dedico à Adriane Galisteu, sobre a quantidade de clipes de mano´s que mtv tem exibido, sobre como dias são diferentes quando se acorda bem depois do meio deles, sobre mil outras coisas insossas.
Estar de férias é bom.
quinta-feira, fevereiro 09, 2006
The Dreamers.
[Ê vidão, hein fia? Ô leimcasa.]
Atores jovens (e bonitos), um pano de fundo a evocar alguma revolução e um relacionamento amoroso entre os personagens. Em um primeiro momento, o envolvimento de Mathew com os irmãos Theo e Isabelle, presente em Os Sonhadores, de Bertolucci, parece seguir a atual tendência dos filmes tidos sob a vergonhosa alcunha de cult-jovens, na qual também se encaixam os alemães The Edukators e Adeus Lênin.
Contudo, The Dreamers vai um pouco mais longe quando deixa de lado a abordagem jovem prá centrar-se no que compõe a parte talvez tida como cult do filme, ao trazer para os espectadores, referências a filmes clássicos das décadas de 30 e 40. E para que a maior parte do público não fique perdida, cenas das tais películas são inseridas na obra de Bertolucci, numa colagem que, apesar de conferir ao filme certo caráter didático, é um dos maiores trunfos deste.
Já a nudez e o sexo explícitos em Os Sonhadores são capazes de arrastar para o cinema muitos garotinhos com os hormônios à flor da pele. É fato que a sexualidade presente no filme proporciona algumas boas cenas - especialmente quando é apenas insinuada, ou contrasta com a casualidade - porém, soa gratuita na maior parte das vezes.
The Dreamers parece querer tratar de vários assuntos ao mesmo tempo - incesto, sexo, cinema, política, revolução - mas acaba por passar de forma superficial por todos estes. Vale, portanto, somente pela bela forma como é filmado, por certos diálogos, pela trilha sonora. No mais, soa apenas como um filme para cult´s inciantes, ou aprendizes de cinéfilos.
____________________________________________________
[Eu sei que ninguém terá paciência, mas é que Rafael se perdeu com as argentinas. Então eu assisti ao filme e senti saudade das resenhas das aulas de "oficina de leitura e escrita". Era a única matéria que me agradava em jornalismo, fora fotografia. :~]
terça-feira, fevereiro 07, 2006
[Making Off - ou of?]
- temos que pensar o que levaria uma mulher a...
- deixa, lara. minhas mãos estão trêmulas. vou pegar meu caminho.
- amanhã terminamos este texto?
- amanhã dirá.
e ele nunca voltou pra casa
e ela olhava aquela página rabiscada
e ela chorava suas incompletudes
e ele se deitava com prostitutas argentinas
e ela se viu grávida
e ela jogou o bebe na lagoa da pampulha.
(terminaram, é fato)
(e com o feto)
(mortinho e boiando)
(fim)
[Filho acidental de Lara e Rafael numa noite sem poemas.]*
[Porque o "texto-com-enters", caso ele não se perca pros cantos argentinos, vem amanhã.]**
[Por hora, boa noite.]***
- deixa, lara. minhas mãos estão trêmulas. vou pegar meu caminho.
- amanhã terminamos este texto?
- amanhã dirá.
e ele nunca voltou pra casa
e ela olhava aquela página rabiscada
e ela chorava suas incompletudes
e ele se deitava com prostitutas argentinas
e ela se viu grávida
e ela jogou o bebe na lagoa da pampulha.
(terminaram, é fato)
(e com o feto)
(mortinho e boiando)
(fim)
[Filho acidental de Lara e Rafael numa noite sem poemas.]*
[Porque o "texto-com-enters", caso ele não se perca pros cantos argentinos, vem amanhã.]**
[Por hora, boa noite.]***
domingo, fevereiro 05, 2006
novo.
Finalmente, template novo.
Com meu microconto preferido, com fundo branco, com arquivos de três anos atrás - recomendáveis, caso queiram ver que adolescentes não são "miguxos" para sempre.
O dono da obra? O maldito mais querido.
Brigada, Rafa!
E prá abrir, esse aí que eu não sei se alguém entenderá.
[Três pra ti.]
Era grama de verde fresco roçando as minhas costas, e falta de preocupação com as formigas que, a essas alturas, já se entranhavam pelo meu cabelo a dentro. Céu branco de dia que acabara de nascer, lágrimas fazendo da minha alma vidro, aquela transparência frágil.
Anos poderiam ter se passado enquanto eu, silenciosamente, me virava do avesso a espera das tuas verdades, precisas. Vida e erros desfilaram na frente de nossos olhos ali, e os meus gritos de dor escorridos pelos olhos você limpou com a promessa de que outros erros virão, virão outros dias, outros cortes, outros amores.
Mas o tempo que passou foi apenas aquele necessário prá amanhecer um céu, prá se sarar uma alma, prá se perceber que "viver é muito perigoso", mas ter alguém que te distraia das lágrimas torna a travessia mais bonita.
Com meu microconto preferido, com fundo branco, com arquivos de três anos atrás - recomendáveis, caso queiram ver que adolescentes não são "miguxos" para sempre.
O dono da obra? O maldito mais querido.
Brigada, Rafa!
E prá abrir, esse aí que eu não sei se alguém entenderá.
[Três pra ti.]
Era grama de verde fresco roçando as minhas costas, e falta de preocupação com as formigas que, a essas alturas, já se entranhavam pelo meu cabelo a dentro. Céu branco de dia que acabara de nascer, lágrimas fazendo da minha alma vidro, aquela transparência frágil.
Anos poderiam ter se passado enquanto eu, silenciosamente, me virava do avesso a espera das tuas verdades, precisas. Vida e erros desfilaram na frente de nossos olhos ali, e os meus gritos de dor escorridos pelos olhos você limpou com a promessa de que outros erros virão, virão outros dias, outros cortes, outros amores.
Mas o tempo que passou foi apenas aquele necessário prá amanhecer um céu, prá se sarar uma alma, prá se perceber que "viver é muito perigoso", mas ter alguém que te distraia das lágrimas torna a travessia mais bonita.
quarta-feira, fevereiro 01, 2006
Passei, porra!
E não peço desculpas pelo mal vocabulário.
Que agora eu tremo e choro e não raciocino direito, mas o 55º lugar dos aprovados em Letras na Ufmg é meu! É meu diacho, é meu!
Felicidade assim, acho que desde um certo show do ano passado eu não sentia.
A minha modéstia eu mando a merda, e encho a boca prá dizer que tenho orgulho de mim. Orgulho de não ter me acomodado naquilo que eu não achava que fosse meu, e ter posto outro lado da minha face ao tapa.
O que vem pela frente eu já não sei, mas, por Deus, agora vai dar certo, se vai.
E prá festa sexta feira aqui em casa todo mundo é convidado!
E não peço desculpas pelo mal vocabulário.
Que agora eu tremo e choro e não raciocino direito, mas o 55º lugar dos aprovados em Letras na Ufmg é meu! É meu diacho, é meu!
Felicidade assim, acho que desde um certo show do ano passado eu não sentia.
A minha modéstia eu mando a merda, e encho a boca prá dizer que tenho orgulho de mim. Orgulho de não ter me acomodado naquilo que eu não achava que fosse meu, e ter posto outro lado da minha face ao tapa.
O que vem pela frente eu já não sei, mas, por Deus, agora vai dar certo, se vai.
E prá festa sexta feira aqui em casa todo mundo é convidado!
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