[cemsujeito]
Aquele sol que não aquecia, também não queimava a pele.
Nem se faria notar, não fosse o fato de que ainda tornava as lâmpadas dos postes inúteis.
Ventava e as mãos abraçavam o próprio corpo, na tentativa de disfarçar o efeito que aquele sol medíocre deixava o frio provocar.
As palavras que haviam sido jogadas às paredes, ainda que houvesse gente dentro do quarto, agora voltavam golpeando a cabeça. Não incomodava tanto quanto o drama presente nesses escritos pode sugerir.
Havia uma vontade estranha de expressar tudo aquilo que aquela situação, que primava pela banalidade, surpreendentemente provocava.
A garotinha que não podia tomar um sorvete porque "Tá frio! Vai pegar dor de garganta e um febrão." e o modo como ela abraçava as pernas daquela que lhe fazia a negação. A igreja do outro lado da rua e um rapaz que lá de dentro repetia os versos de uma música com as palmas das mãos viradas pra cima e os olhos fechados, numa catarse invejável. O descontentamento causado pelo o reflexo mostrado vez ou outra no vidro dos automóveis que por ali passavam.
Tudo isso inspirava de forma a inquietar, e ao mesmo tempo fazia crescer algo grandiosamente nulo dentro do íntimo.
(...)
Era aquele sol que não aquecia, e nem queimava a pele.
Certamente, nem se faria notar.
segunda-feira, maio 02, 2005
sábado, abril 30, 2005
Apesar de ter ouvido/lido [bons] comentários a respeito de Edukators há algum tempo, só fui assisti-lo ontem.
E a história interessante, os diálogos em alemão [o mais esperado de um filme alemão, néam], o carinha do Adeus, Lênin! [que pra mim é a pessoa mais parecida com o Billy Corgan depois, é claro, do Billy Corgan], os outros três atores cuja cara eu vi pela primeira vez ontem, e a trilha sonora extremamente bonitinha e bem colocada, me fazem confirmar aquilo que já tinha chegado até mim: Filme muito bom, de fato.
Acho que eu destacaria duas cenas que me agradaram bastante: Uma na qual a mocinha loira aí do meio do poster arranha a pintura dum carrão com a sutileza de quem coça o nariz, e a cena final que, boazinha que sou, não vou adiantar aqui.
Enfim, recomendável deveras.
E se alguém aí souber onde eu acho a trilha sonora disponível para download ou coisa assim, faz um grande favor em me avisar.
[Ouvindo Leonard Cohen - Waiting for The Miracle. Primeira música da Trilha Sonora do Assassinos por Natureza, que por sinal eu comprei esses dias. Coincidência, uia.]
quarta-feira, abril 27, 2005
[http://poesiasevinho.zip.net]
Não é a minha especialidade, também porque se eu tenho de fato uma, a desconheço.
Mas convidaram-me, e bem, tem a ver com escrever. Então não há porque não tentar, né?
O endereço aí em cima leva ao blog comunitário Poesias e Vinho Tinto. Devido ao nome auto-sugestivo, eu me limito a dizer que, por enquanto, os meninos tão indo muito bem nessa coisa de escrever poesia. E, é claro, que se eu fosse você eu ia lá prá ver o que se passa.
________________________________________________
Só pra constar: Jorge Vercilo* sem dúvida figura no meu Top 5 cantores de mpb absolutamente detestáveis. Só não sei se ele ganha o primeiro lugar, porque o Emerson Nogueira** também é um fortíssimo candidato ao pódio.
Pronto, sinto-me mais leve.
=D
[*Pra você que tem a sorte de não se lembrar de quem eu tô falando, o Jorge Vercilo é o mala que canta aquela música da Maré; "A saudade bateu foi que nem maré... bla bla bla de tarde invade o bem me quer, a saudade é que nem maré." E ele também tem a língua discretamente presa. Mas não discretamente o suficiente pra não me irritar.]
[**Pô, o Emerson Nogueira cê também não conhece? Em que mundo você vive? Me leva praí? Enfim, o Emerson é o picareta mais descarado da mpb atual. Ele simplesmente regrava todos os hits existentes capazes de serem executados com voz e violão. Sim, porque as músicas dele, sem excessão, são todas voz e violão, estilo som de barzinho. Poizé, poizé.]
Não é a minha especialidade, também porque se eu tenho de fato uma, a desconheço.
Mas convidaram-me, e bem, tem a ver com escrever. Então não há porque não tentar, né?
O endereço aí em cima leva ao blog comunitário Poesias e Vinho Tinto. Devido ao nome auto-sugestivo, eu me limito a dizer que, por enquanto, os meninos tão indo muito bem nessa coisa de escrever poesia. E, é claro, que se eu fosse você eu ia lá prá ver o que se passa.
________________________________________________
Só pra constar: Jorge Vercilo* sem dúvida figura no meu Top 5 cantores de mpb absolutamente detestáveis. Só não sei se ele ganha o primeiro lugar, porque o Emerson Nogueira** também é um fortíssimo candidato ao pódio.
Pronto, sinto-me mais leve.
=D
[*Pra você que tem a sorte de não se lembrar de quem eu tô falando, o Jorge Vercilo é o mala que canta aquela música da Maré; "A saudade bateu foi que nem maré... bla bla bla de tarde invade o bem me quer, a saudade é que nem maré." E ele também tem a língua discretamente presa. Mas não discretamente o suficiente pra não me irritar.]
[**Pô, o Emerson Nogueira cê também não conhece? Em que mundo você vive? Me leva praí? Enfim, o Emerson é o picareta mais descarado da mpb atual. Ele simplesmente regrava todos os hits existentes capazes de serem executados com voz e violão. Sim, porque as músicas dele, sem excessão, são todas voz e violão, estilo som de barzinho. Poizé, poizé.]
quinta-feira, abril 21, 2005
Falemos sobre coisas boas, pra combinar com o humor atual.
Eu acho que já se passaram uns bons meses desde que nenhuma banda me empolga de verdade. Ultimamente tenho dado mais atenção à músicas avulsas que a um album propriamente dito.
Acontece que isso cansa, pelo menos a mim. E foi quando eu já estava cansada disso que tomei vergonha na cara e baixei o Nadadenovo, álbum do bem falado Mombojó.
Nunca fui boa em definir estilos musicais, muito menos em justificar os motivos que me levam a gostar ou a desgostar de uma música, ou de uma banda.
Mas digo que esse tal de Mombojó é um negócio, no mínimo, bacana. E acredito que até aqueles que tem o costume de organizar música como quem organiza comida nas prateleiras de supermercado não conseguiriam inventar um estilo pra definir a música que essa banda faz.
Do alto da minha ignorância só digo que é, basicamente, uma mistura de vários estilos que, somados a um sotaque nordestino [os integrantes são do Recife, se não me engano] e a letras simples e bonitinhas, acaba dando muito certo, por incrível que pareça.
Pelo menos comigo essa fórmula funciona, especialmente porque apareceu em boa hora.
E pra quem tem pelo menos curiosidade de saber do que eu tô falando, o site do Mombojó é esse aqui, ó . Bom lembrar que o Nadadenovo tá todo disponibilizado em mp3 nele, néam?
["Dai-me outra cor
Que não seja a do seu olhar
Dai-me outro amor
Que venha pra me perpetuar
Dai-me outra cor
Que não tenha o que eu quero enxergar
Dai-me uma dor
Que sirva para eu acordar
Dai-me outra cor, dai-me um amor, dai-me uma dor..."]
-> Duas Cores, dos já citados.
Bom, muito bom.
Ps: Em Ipatinga, percebendo o feriado passar rápido, e pensando que se eu topo com esse tal de "tempo" na rua não hesito em dar uns cascudos nele.
Eu acho que já se passaram uns bons meses desde que nenhuma banda me empolga de verdade. Ultimamente tenho dado mais atenção à músicas avulsas que a um album propriamente dito.
Acontece que isso cansa, pelo menos a mim. E foi quando eu já estava cansada disso que tomei vergonha na cara e baixei o Nadadenovo, álbum do bem falado Mombojó.
Nunca fui boa em definir estilos musicais, muito menos em justificar os motivos que me levam a gostar ou a desgostar de uma música, ou de uma banda.
Mas digo que esse tal de Mombojó é um negócio, no mínimo, bacana. E acredito que até aqueles que tem o costume de organizar música como quem organiza comida nas prateleiras de supermercado não conseguiriam inventar um estilo pra definir a música que essa banda faz.
Do alto da minha ignorância só digo que é, basicamente, uma mistura de vários estilos que, somados a um sotaque nordestino [os integrantes são do Recife, se não me engano] e a letras simples e bonitinhas, acaba dando muito certo, por incrível que pareça.
Pelo menos comigo essa fórmula funciona, especialmente porque apareceu em boa hora.
E pra quem tem pelo menos curiosidade de saber do que eu tô falando, o site do Mombojó é esse aqui, ó . Bom lembrar que o Nadadenovo tá todo disponibilizado em mp3 nele, néam?
["Dai-me outra cor
Que não seja a do seu olhar
Dai-me outro amor
Que venha pra me perpetuar
Dai-me outra cor
Que não tenha o que eu quero enxergar
Dai-me uma dor
Que sirva para eu acordar
Dai-me outra cor, dai-me um amor, dai-me uma dor..."]
-> Duas Cores, dos já citados.
Bom, muito bom.
Ps: Em Ipatinga, percebendo o feriado passar rápido, e pensando que se eu topo com esse tal de "tempo" na rua não hesito em dar uns cascudos nele.
sábado, abril 16, 2005
Só hoje eu fui perceber que a capacidade da Rede Globo de usufruir das modinhas [ou hype´s pros "mudernos"] enquanto elas ainda são atuais é nula.
Quando o filme* que eu assistia terminou, fui tomada por uma preguiça que me impediu de levantar do sofá. Daí eu acabei ficando por lá mesmo, e me deparei com o Caldeirão do Huck Especial - Anos 80, com direito a dançarinas, Sidney Magal, decoração de Playmobil, Genius e outras coisas que eram consideradas bacanas há mais ou menos... um ano atrás.
Sinceramente: ¬¬.
Até eu que sou mais boba sei que esse culto aos ícones oitentistas já deu no que tinha que dar, encheu o saco de todo mundo, e hoje em dia só agrada mesmo à Gretchen e à Rosana, que conseguem dar uma escapadinha do ostracismo através dele.
Mas, bah.
Do que eu estou reclamando... No intervalo do programa eu pude assistir a chamada pra um filme do Chuck Norris, em que ele era "O defensor da floresta" e se transformava em um urso [!] no trailler.
Pensando bem, um "especial-wannabe-bacana" como o de hoje de certa forma até supera os padrões de entretenimento globais.
[*O filme em questão era Adeus, Lenin!. Interessante e original. Altamente recomendável.]
Quando o filme* que eu assistia terminou, fui tomada por uma preguiça que me impediu de levantar do sofá. Daí eu acabei ficando por lá mesmo, e me deparei com o Caldeirão do Huck Especial - Anos 80, com direito a dançarinas, Sidney Magal, decoração de Playmobil, Genius e outras coisas que eram consideradas bacanas há mais ou menos... um ano atrás.
Sinceramente: ¬¬.
Até eu que sou mais boba sei que esse culto aos ícones oitentistas já deu no que tinha que dar, encheu o saco de todo mundo, e hoje em dia só agrada mesmo à Gretchen e à Rosana, que conseguem dar uma escapadinha do ostracismo através dele.
Mas, bah.
Do que eu estou reclamando... No intervalo do programa eu pude assistir a chamada pra um filme do Chuck Norris, em que ele era "O defensor da floresta" e se transformava em um urso [!] no trailler.
Pensando bem, um "especial-wannabe-bacana" como o de hoje de certa forma até supera os padrões de entretenimento globais.
[*O filme em questão era Adeus, Lenin!. Interessante e original. Altamente recomendável.]
terça-feira, abril 12, 2005
Tinha seis anos quando descobriram. Foi numa visita casual ao médico, dessas que as mães mais neuróticas sempre insistem em levar seus filhos. Era míope, precisava de óculos.
Num primeiro momento, ficou se imaginando com os benditos dois olhos artificiais, que provavelmente lhe renderiam aquele, tão famigerado quanto odioso, apelido na escola. Seus olhos grandes e pretos, que sua Tia gorda [ele não a distinguia das outras – tinham todas a mesma cara grande e rosa] gostava de chamar de “jaboticabinhas” ficariam escondidos atrás de um bendito par de lentes.
Voltou pra casa pensando ainda em como ficaria feioso de óculos. A garotinha loira de sua sala, que já andava meio indiferente às suas investidas [que incluíam balas oferecidas durante o recreio e uma paçoca dividida entre os dois – a parte maior pra ele, e a menor pra ela, que não queria engordar] agora com certeza o desprezaria.
Quando se esgotou de pensar no prejuízo estético que o uso dos óculos acarretaria, outra questão o incomodou: “Mas que diabos há de errado com minha visão?”
Seria possível que o mundo não era realmente assim, como ele o via há seis anos?
Mas era tudo tão... bonito!
Gostava do verde homogêneo das folhas das árvores e do papel amarelo com um borrão marrom no meio, que embalava as balas Chita.
Era fato que às vezes a letra da Tia da escola parecia um pouco tremida no quadro. Mas decerto era ela quem não tinha boa caligrafia.
E pensando em outras questões até o dia em que o tal óculos ficou pronto. Veio numa caixinha preta com o logotipo fajuto da ótica do bairro estampado em cima. Não era feio de todo. Lentes redondinhas, armação transparente contornada na parte interior por um arame azul marinho. Logo se via que era um modelo popular.
Sem muita cerimônia, tirou o causador de seus tormentos da caixinha e colocou-o no rosto. Caminhou até o espelho, sem poder ignorar o estranhamento que aquela nova visão causava em si mesmo. Ao se ver não teve muita surpresa.
As jaboticabinhas de sua Tia gorda estavam realmente apagadas atrás das lentes. Também não se encontrava ele atraente o bastante para a menininha loira e “quatro-olhos” seria, definitivamente, seu apelido dali em diante.
Contudo sentia-se muito estranho para importar-se com estes probleminhas. Não gostava de não mais ver como via antes.
Munido de sua nova forma de ver as coisas, foi pra aula. Ao chegar em sua escola, a decepção foi maior. As balas Chita estampavam uma macaca horrorosa no centro de sua embalagem, a garotinha loira nem era assim, tão bonita, a letra de sua professora era perfeita [como era de se esperar de qualquer professora de primário], e todos os rostos tinham contornos perfeitamente distinguíveis.
Era tudo nítido demais.
Sentiu de imediato que, com aquele modo de enxergar, não se acostumaria nunca.
Esperou, então, impacientemente a hora do recreio [era quarta – dia de futebol] e foi direto para o campinho quando o sinal tocou. Ao ouvir seu nome ser chamado na escalação de um dos times, não hesitou: Tirou os óculos do rosto, arremessou-os pra cima e correu para sua posição no campo.
“De uma forma ou de outra ele quebraria mesmo...” justificou para si mesmo, enquanto observava a garotinha loira que, sentada na arquibancada, era a menina mais linda que seus olhos míopes já haviam visto.
[Tá certo. É grande, cês tem preguiça. Bah.]
Num primeiro momento, ficou se imaginando com os benditos dois olhos artificiais, que provavelmente lhe renderiam aquele, tão famigerado quanto odioso, apelido na escola. Seus olhos grandes e pretos, que sua Tia gorda [ele não a distinguia das outras – tinham todas a mesma cara grande e rosa] gostava de chamar de “jaboticabinhas” ficariam escondidos atrás de um bendito par de lentes.
Voltou pra casa pensando ainda em como ficaria feioso de óculos. A garotinha loira de sua sala, que já andava meio indiferente às suas investidas [que incluíam balas oferecidas durante o recreio e uma paçoca dividida entre os dois – a parte maior pra ele, e a menor pra ela, que não queria engordar] agora com certeza o desprezaria.
Quando se esgotou de pensar no prejuízo estético que o uso dos óculos acarretaria, outra questão o incomodou: “Mas que diabos há de errado com minha visão?”
Seria possível que o mundo não era realmente assim, como ele o via há seis anos?
Mas era tudo tão... bonito!
Gostava do verde homogêneo das folhas das árvores e do papel amarelo com um borrão marrom no meio, que embalava as balas Chita.
Era fato que às vezes a letra da Tia da escola parecia um pouco tremida no quadro. Mas decerto era ela quem não tinha boa caligrafia.
E pensando em outras questões até o dia em que o tal óculos ficou pronto. Veio numa caixinha preta com o logotipo fajuto da ótica do bairro estampado em cima. Não era feio de todo. Lentes redondinhas, armação transparente contornada na parte interior por um arame azul marinho. Logo se via que era um modelo popular.
Sem muita cerimônia, tirou o causador de seus tormentos da caixinha e colocou-o no rosto. Caminhou até o espelho, sem poder ignorar o estranhamento que aquela nova visão causava em si mesmo. Ao se ver não teve muita surpresa.
As jaboticabinhas de sua Tia gorda estavam realmente apagadas atrás das lentes. Também não se encontrava ele atraente o bastante para a menininha loira e “quatro-olhos” seria, definitivamente, seu apelido dali em diante.
Contudo sentia-se muito estranho para importar-se com estes probleminhas. Não gostava de não mais ver como via antes.
Munido de sua nova forma de ver as coisas, foi pra aula. Ao chegar em sua escola, a decepção foi maior. As balas Chita estampavam uma macaca horrorosa no centro de sua embalagem, a garotinha loira nem era assim, tão bonita, a letra de sua professora era perfeita [como era de se esperar de qualquer professora de primário], e todos os rostos tinham contornos perfeitamente distinguíveis.
Era tudo nítido demais.
Sentiu de imediato que, com aquele modo de enxergar, não se acostumaria nunca.
Esperou, então, impacientemente a hora do recreio [era quarta – dia de futebol] e foi direto para o campinho quando o sinal tocou. Ao ouvir seu nome ser chamado na escalação de um dos times, não hesitou: Tirou os óculos do rosto, arremessou-os pra cima e correu para sua posição no campo.
“De uma forma ou de outra ele quebraria mesmo...” justificou para si mesmo, enquanto observava a garotinha loira que, sentada na arquibancada, era a menina mais linda que seus olhos míopes já haviam visto.
[Tá certo. É grande, cês tem preguiça. Bah.]
domingo, abril 10, 2005
sexta-feira, abril 08, 2005
Sobre café e cigar... ops, fotologs.
Eu voltando, mais uma vez, nesse assunto.
Não, não. Sobre café eu não costumo ter muito o que comentar não. Mas essa coisa de fotolog é algo que me rende algumas indagações. Contudo não são elas que vem ao caso agora.
Uma cafeteria [e há nome mais fresco pra se classificar um estabelicimento que esse? Acho que só "Clínica de Estética" mesmo.] daqui de Belo Horizonte tá expondo fotos de fotologguers brasileiros e de outros países. E pra fazer um trabalho de Circuitos Artísticos [matéria até bacana, mas que tem sido vítima de minha picaretagem inata] eu visitei a tal exposição.
Eu não entendo de fotografia, tampouco de arte, mas gostei bastante do que vi lá.
Muitas fotos bonitas, algumas bem criativas, outras poucas impressionantes.
Mas todas, de certa forma, traduzem o que eu creio ser o propósito pelo qual foi criado o tal fotolog.net: Divulgar fotos de quem sabe tirar fotos.
É fato que eu não tenho muito crédito pra dizer isso desde o dia em que eu virei a /lara_verde. Mas desconsiderem isso, e dêem uma olhada nos links abaixo, que levam a alguns fotologs dos quais saíram as fotos expostas lá no tal Café.
barra soso
barra daimon
barra tinoco
barra capute
barra felipebh
[Depois de ver essa exposição eu até fiquei pensando em por que diabos eu fiz um fotolog. Mas isso é assunto pra depois.]
Eu voltando, mais uma vez, nesse assunto.
Não, não. Sobre café eu não costumo ter muito o que comentar não. Mas essa coisa de fotolog é algo que me rende algumas indagações. Contudo não são elas que vem ao caso agora.
Uma cafeteria [e há nome mais fresco pra se classificar um estabelicimento que esse? Acho que só "Clínica de Estética" mesmo.] daqui de Belo Horizonte tá expondo fotos de fotologguers brasileiros e de outros países. E pra fazer um trabalho de Circuitos Artísticos [matéria até bacana, mas que tem sido vítima de minha picaretagem inata] eu visitei a tal exposição.
Eu não entendo de fotografia, tampouco de arte, mas gostei bastante do que vi lá.
Muitas fotos bonitas, algumas bem criativas, outras poucas impressionantes.
Mas todas, de certa forma, traduzem o que eu creio ser o propósito pelo qual foi criado o tal fotolog.net: Divulgar fotos de quem sabe tirar fotos.
É fato que eu não tenho muito crédito pra dizer isso desde o dia em que eu virei a /lara_verde. Mas desconsiderem isso, e dêem uma olhada nos links abaixo, que levam a alguns fotologs dos quais saíram as fotos expostas lá no tal Café.
barra soso
barra daimon
barra tinoco
barra capute
barra felipebh
[Depois de ver essa exposição eu até fiquei pensando em por que diabos eu fiz um fotolog. Mas isso é assunto pra depois.]
terça-feira, abril 05, 2005
["Durmo, desperto, torno a dormir, torno a despertar, miserável existência." (Franz Kafka)]
Eu já cheguei a pensar que estava conformada com toda a minha mediocridade e tudo mais.
Acreditei que não havia muito problema em engrossar as estatísticas [desde as de emigrantes de Governador Valadares as de consumidores de sorvete de pistache] e só.
Já adotei a idéia de que as coisas tinham uma ordem natural para acontecer, e que era assim mesmo que tinha de ser, e pronto-acabou.
Eu só não sabia que ia me cansar tão rápido.
Da minha mesmice, da mesmice do que me cerca, da mesmice que me espera.
Como um condenado que, mesmo tendo as mãos e os pés livres, não desvia seu curso da forca.
Porque parece a mim que a mediocridade está encravada lá no fundo, e não há falsa modéstia ou falsos elogios que a impeçam de vir à tona hora ou outra.
Só agora vejo como é frágil, esse ego meu.
Fraco, e pateticamente insatisfeito.
Eu já cheguei a pensar que estava conformada com toda a minha mediocridade e tudo mais.
Acreditei que não havia muito problema em engrossar as estatísticas [desde as de emigrantes de Governador Valadares as de consumidores de sorvete de pistache] e só.
Já adotei a idéia de que as coisas tinham uma ordem natural para acontecer, e que era assim mesmo que tinha de ser, e pronto-acabou.
Eu só não sabia que ia me cansar tão rápido.
Da minha mesmice, da mesmice do que me cerca, da mesmice que me espera.
Como um condenado que, mesmo tendo as mãos e os pés livres, não desvia seu curso da forca.
Porque parece a mim que a mediocridade está encravada lá no fundo, e não há falsa modéstia ou falsos elogios que a impeçam de vir à tona hora ou outra.
Só agora vejo como é frágil, esse ego meu.
Fraco, e pateticamente insatisfeito.
domingo, abril 03, 2005
Adiantando o que será publicado daqui algum tempo no Jornal Oficina do Unileste:
" Era difícil fechar os olhos. Não se podia descansar tendo feito isso de tal maneira. Apesar de não ser a primeira vez, essa fora feita com as próprias mãos. Suas garras compridas ainda guardavam pedaços de carne humana em putrefação. Seu corpo exausto clamava por um leito, todavia, sua mente a impedia de poder aliviar-se de tal fardo. “ Sim, eu o matei.” Soava como um mantra, algo que a deixava, no mínimo, inquieta. Recorrer às drogas, “Por que não?!”. Já era desnecessário. Sentira algo como uma pancada na nuca, foi como uma força superior que a levou para outra dimensão.
Encontrava-se agora desnuda de toda culpa. Era simplesmente o ser, criação de uma força divina. Do amor... ou do ódio. Mas estava ali. Seu refúgio social se resumia apenas a um velho lençol, rasgado e, ainda, sujo de sangue. Estava ali... limpa, pura, longe de todo o corrompimento, distante do que pudesse lhe fazer mal. O que realmente tornara o instante prazeroso era a oportunidade de dormir em paz. Sozinha, em sua cama, não era preciso vender o próprio corpo, ou ser uma incansável ladra e assassina de corpos obesos, mortos pelo preconceito de uma mente livre de qualquer razão obviamente bondosa. Matava a sangue frio, geralmente com a ajuda de uma arma que recebera como pagamento por uma noite de prazer carnal egoísta.
Mas estava diferente. Pouco protegida, voltava a ser agora como fora um dia. Desfez de tudo (pouco) que tinha e retornou para a casa de seus pais. Os velhos amigos se tornaram novos mais uma vez. Descobriu que possuía sentimentos, e que poderia até se apaixonar. Era humana, aprendeu a chorar. Experimentou do amor, e dele não mais se desfez. Havia atingido o inefável, era impossível descrever o quão satisfatório se tornara viver. Não era mais preciso tapar a face, esconder sua existência. Seria constantemente uma pessoa normal.
Certo momento, ao entrar em seu quarto, após beijar seus pais, sentia-se preparada para dormir, mas decidiu, antes, abrir uma caixinha de música com que fora presenteada quando completou 15 anos. Ao abrir a caixa, encontrou a arma que seu mais fiel, porém não mais, cliente lhe dera.
Foi como voltar ao passado. As lembranças, que supostamente haviam se apagado, voltaram a atormentar sua mente. Experimentava agora, a efemeridade da paz. Chorava novamente, agora movida pelo ódio. Sentiu nojo de si, olhou-se no espelho e quis quebrá-lo. Seus cabelos, presos por uma fita branca, eram vistos novamente na cor vermelha, sujos com o suor de um deprimente corpo. Juntando os fatos, percebeu que seus pais a olhavam com desprezo, e todo o bom tratamento era justificado pela piedade. Lembrou-se dos olhares repudiosos de seus vizinhos e de quem a cercava, e sentiu raiva. Não lembrou do namorado, talvez fosse ele muito bom para ser memorado agora. Mas o ódio crescente a fez direcionar com as mãos suadas e trêmulas, e contra seu próprio peito, a arma. Não encontrou forças suficientes para manter-se em pé, mas o pouco que restava a fez puxar o gatilho, atirando em seu mísero corpo.
O estridente barulho imaginário a fez acordar com um certo desespero. Gostaria, de fato, que seu desejo pudesse,um dia, se tornar real. Sentiu-se pura, apenas por almejar sua própria felicidade. Suas mãos frias terminaram de rasgar o lençol que a cobria. E dessa vez, chorou de tristeza. Subitamente, porém, sorriu. Sorriu porque descobriu que poderia ser feliz. Descobriu que era possível olhar, era possível sonhar. "
Por Orlando Junior [vulgo /jinim]
Eu tenho orgulho desse menino.
Ele só precisa deixar de lado algumas frescuras e acreditar que sabe fazer essas coisas, deveras.
Num é?
" Era difícil fechar os olhos. Não se podia descansar tendo feito isso de tal maneira. Apesar de não ser a primeira vez, essa fora feita com as próprias mãos. Suas garras compridas ainda guardavam pedaços de carne humana em putrefação. Seu corpo exausto clamava por um leito, todavia, sua mente a impedia de poder aliviar-se de tal fardo. “ Sim, eu o matei.” Soava como um mantra, algo que a deixava, no mínimo, inquieta. Recorrer às drogas, “Por que não?!”. Já era desnecessário. Sentira algo como uma pancada na nuca, foi como uma força superior que a levou para outra dimensão.
Encontrava-se agora desnuda de toda culpa. Era simplesmente o ser, criação de uma força divina. Do amor... ou do ódio. Mas estava ali. Seu refúgio social se resumia apenas a um velho lençol, rasgado e, ainda, sujo de sangue. Estava ali... limpa, pura, longe de todo o corrompimento, distante do que pudesse lhe fazer mal. O que realmente tornara o instante prazeroso era a oportunidade de dormir em paz. Sozinha, em sua cama, não era preciso vender o próprio corpo, ou ser uma incansável ladra e assassina de corpos obesos, mortos pelo preconceito de uma mente livre de qualquer razão obviamente bondosa. Matava a sangue frio, geralmente com a ajuda de uma arma que recebera como pagamento por uma noite de prazer carnal egoísta.
Mas estava diferente. Pouco protegida, voltava a ser agora como fora um dia. Desfez de tudo (pouco) que tinha e retornou para a casa de seus pais. Os velhos amigos se tornaram novos mais uma vez. Descobriu que possuía sentimentos, e que poderia até se apaixonar. Era humana, aprendeu a chorar. Experimentou do amor, e dele não mais se desfez. Havia atingido o inefável, era impossível descrever o quão satisfatório se tornara viver. Não era mais preciso tapar a face, esconder sua existência. Seria constantemente uma pessoa normal.
Certo momento, ao entrar em seu quarto, após beijar seus pais, sentia-se preparada para dormir, mas decidiu, antes, abrir uma caixinha de música com que fora presenteada quando completou 15 anos. Ao abrir a caixa, encontrou a arma que seu mais fiel, porém não mais, cliente lhe dera.
Foi como voltar ao passado. As lembranças, que supostamente haviam se apagado, voltaram a atormentar sua mente. Experimentava agora, a efemeridade da paz. Chorava novamente, agora movida pelo ódio. Sentiu nojo de si, olhou-se no espelho e quis quebrá-lo. Seus cabelos, presos por uma fita branca, eram vistos novamente na cor vermelha, sujos com o suor de um deprimente corpo. Juntando os fatos, percebeu que seus pais a olhavam com desprezo, e todo o bom tratamento era justificado pela piedade. Lembrou-se dos olhares repudiosos de seus vizinhos e de quem a cercava, e sentiu raiva. Não lembrou do namorado, talvez fosse ele muito bom para ser memorado agora. Mas o ódio crescente a fez direcionar com as mãos suadas e trêmulas, e contra seu próprio peito, a arma. Não encontrou forças suficientes para manter-se em pé, mas o pouco que restava a fez puxar o gatilho, atirando em seu mísero corpo.
O estridente barulho imaginário a fez acordar com um certo desespero. Gostaria, de fato, que seu desejo pudesse,um dia, se tornar real. Sentiu-se pura, apenas por almejar sua própria felicidade. Suas mãos frias terminaram de rasgar o lençol que a cobria. E dessa vez, chorou de tristeza. Subitamente, porém, sorriu. Sorriu porque descobriu que poderia ser feliz. Descobriu que era possível olhar, era possível sonhar. "
Por Orlando Junior [vulgo /jinim]
Eu tenho orgulho desse menino.
Ele só precisa deixar de lado algumas frescuras e acreditar que sabe fazer essas coisas, deveras.
Num é?
Subscrever:
Mensagens (Atom)