sábado, março 05, 2005

Sair a noite tendo na cabeça o número exato de cervejas que seu dinheiro te permite tomar; Chegar em casa às quatro e acordar às sete; Voltar pra casa da faculdade debaixo de chuva pela terceira vez na semana [sombrinha é artefato inexistente na sua vida]; Almoçar um biscoito Toda-Hora a fim de chegar na rodoviária a tempo de pegar o ônibus; Chamar justamente o Taxi que se atrasa, e perder o ônibus por um mísero minuto; Comprar a passagem pro próximo ônibus com várias [várias mesmo] moedinhas, que foram rigorosamente separadas na noite anterior, no momento do balanço das cervejas.


Poizé. Há dias em que eu me sinto extamente como o personagem de Vida de Estagiário, do genial Allan Sieber.
Não fosse a pequena diferença de que eu [ainda] não sou estagiária, e sim estudante...

[Ouvindo The Velvet Underground - Chelsea Girls e passeando aqui em Ipatinga pra dar um tempo na minha "vida de estudante".]

quarta-feira, março 02, 2005

Sete e meia da manhã. Domingo. E ele não acreditava que já estava acordado.
Havia trabalhado a noite anterior até as três da madrugada, e tudo o que queria quando se deitou na cama era acordar depois do meio dia no dia seguinte.
Mas, pela enésima vez no mês, o rádio da vizinha o acordou.
Sentou-se na cama e ficou refletindo.
Ele que sempre foi um homem tão cheio de ética, não conseguia entender o que é que algumas pessoas faziam com a sua.
E o problema nem era o gosto musical da vizinha, bastante incompatível com o seu. O que o incomodava era a necessidade da mulher de ouvir o som no último volume, fazendo a música ecoar por todo o prédio.
Pensou em calçar seus chinelos, vestir a camisa do pijama e ir até o apartamento de cima pra tentar resolver o problema. Mas lembrou-se que já havia feito coisa semelhante na última semana, e que de nada tinha adiantado.
A medida em que ele pensava nesse problema tido até pouco tempo como "doméstico", sentia sua calma habitual dar sinais de falha.
Em pouco tempo estava trêmulo. E no andar de cima a vizinha cantava os sucessos da rádio.
Sentiu que suava frio. Esfregou as mãos na bermuda enquanto andava em círculos pelo quarto.
Sabia que seu tormento não seria resolvido enquanto a vizinha não se mudasse dali ou enquanto ela...

"Enquanto ela estiver viva", refletiu, embriagado por sua ira.
De forma mecânica, calçou os chinelos. Cozinha. Gaveta. Faca. Ganhou a porta e subiu as escadas.
Não precisou tocar a campainha. A porta estava escancarada e na frente dela ele parou, observando a vizinha que varria a casa e cantava a odiosa e alta música.
Entrou no apartamento. Lá dentro a música, ainda mais alta, penetrava por seus ouvidos de forma irritante, o que só fez aumentar a raiva que ele já sentia.
Se aproximou da mulher que o olhava com espanto. Era fraca e magra, a moça.
Imobilizou-a.
Uma, duas, três, quatro... e continuou até dar a quadragésima sétima facada.
Largou o corpo retalhado no chão. Levantou-se, desligou o rádio e saiu do apartamento.
Agora sim, sua calma havia voltado e ele, finalmente, poderia voltar a dormir.

(...)


[Ontem eu vi um psicólogo contando essa história na Tv. Não exatamente desse jeito, é claro. Mas achei interessante. Eu também não conheço o meu limite. Ainda que eu raramente sinta raiva, quando o faço, tenho vontade de partir pra agressão física sim.
Acho que alivia, ou qualquer coisa do tipo. Mas não se preocupem. O mais próximo que já cheguei de agredir alguém por motivos de ira maior foi quando taquei uma caneta na testa de um amigo que tava me enchendo o saco. É bem verdade que podia ter acertado o olho, mas vá lá...]

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

Por acaso minhas mãos escorregam e vão parar no meu pescoço.
E meus dedos fazem-me sentir, com certa surpresa, que algo ali pulsa. Desce e sobe, desce e sobe. Num rítimo calmo e marcado. Agradável até.

Algumas coisas, quando deixadas muito tempo de lado, não se mostram mais tão óbvias assim.
Há saudade, há medo, há conformismo, há desânimo, há dúvidas, há decepção dentro de mim.
É...
Por pouco eu esqueço-me de que também há vida.

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

Fevereiro praticamente acabando, e eu me esqueci de fazer o comentário que todo ano faço neste mesmo mês.
Nada relacionado ao Carnaval, início de aulas ou coisa parecida.
É que Fevereiro costuma ser o mês em que este blog, er... bem, faz anos, digamos assim. Mas dessa vez eu me esqueci de comentar sobre isso.
Talvez isso seja reflexo da relativa mudança que as coisas sofreram. Já me importei mais com isso, especialmente pelo fato de que eu já tive mais o que dizer, e consquentemente, os outros já tiveram mais o que ler por aqui.
Acontece que ultimamente tenho me sentido meio vazia mesmo, não exatamente no caráter sentimental da palavra. O que não significa, contudo, que algum dia eu já tenha escrito algo realmente válido por aqui.
A questão é que há um tempo atrás, eu tinha assunto [ainda que muito banal] pra despejar aqui. Hoje em dia, quase que nem isso.
Não sei se isso se deve à minha grande falta do que fazer, se eu estaria sendo justa culpando a monotonia significativa das coisas que me cercam, ou se é tudo uma "fase".
Mas não acredito, a não ser que eu seja acometida por um surto de inspiração/grandes idéias, que isso aqui vá chegar aos quatro anos.

Digo isso com um pequeno [grande] pesar, é verdade.
Porque, por mais insignificante que possa parecer, esse blog já me ajudou em muitas coisas.
Uma vez que lidar com as pessoas é setenta e sete vezes mais difícil que lidar com letras [inanimadas e passivas], eu aprendi [ainda que de forma bastante medíocre, é verdade] a escrever pra me livrar da árdua tarefa de me expresar de forma falada.

Obviedade demais dizer que grande parte desse "aprendizado" se deu por aqui, certo?
Pois bem.

Talvez assim fique mais explícito o porque de eu insistir com essa coisa de blog há três anos quando o que bomba é o tal Fotolog, e eu dificilmente tenho algo a dizer.

terça-feira, fevereiro 22, 2005

Impressão minha ou a Malhação tá tentando inserir na temática da novela uma espécie de "Clube da Luta" dos muito mal feitos?
No episódio de ontem o vilãozinho, vulgo filho-do-Fábio-Jr-na-Corpo-Dourado, e alguns de seus comparsas, todos mal encarados, é claro, estavam num lugar abandonado, se engalfinhando [dois de cada vez] sem camisa e descalços [!], sob a luz de algumas lanternas.
E o tal rapaz malvadinho soltou um "como é que vocês ficaram sabendo disso aqui?" ao ver que o "clube" havia crescido um pouco desde o último encontro.

É óbvio que esse Pseudo Clube da Luta Malhaçãonístico [enfo.] será explorado pra explicitar pros jovens que a violência é ruim e o suco de laranja com sanduba natural do Gigabyte é bom, numa associação quase tão extremista quanto as de Tonho da Lua [A-Rutinha-é-boa-a-Raquel-é-má].
Mas ainda que o propósito não seja o mesmo, percebi uma intenção de cópia muito grande na cena.

Coincidência demais ou meu cérebro tá atrofiando devido ao excesso de Tv que eu tenho experimentado nos últimos dias?

[Àqueles que vierem criticar o fato de eu assistir Malhação eu já adianto que sempre assisti. E que também assisto Big Brother. E vocês que tem Tv a cabo ou alguma coisa pra fazer que se esbaldem em sua felicidade e me deixem em paz.]

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

Razões pelas quais eu preciso arrumar algo pra fazer enquanto não estou na faculdade:

-Eu acho que já sei o nome de sessenta por cento dos personagens da novela das nove. [Isso é muito grave, visto que eu dificilmente decoro o nome de personagens de filmes, seriados, ou qualquer outra coisa.]

-Ontem o ponto alto do meu dia foi ver o episódio da boa vizinhança do Chaves no Sbt [Eu fiquei feliz mesmo.]

-A prova do líder do Big Brother também foi interessante...

-Eu fiquei chateadíssima porque a luz acabou exatamente na hora de Malhação.

-Tô com um "nó" no ombro devido à posição em que eu fico deitada o dia todo na frente da Tv.

-Hoje eu achei graça de Pânico na Tv.


Provavelmente alguém dirá pra eu ler um livro nesse intervalo e parar de me entupir com essas porcarias televisivas. [Alguém que ligou a Tv na Mtv na hora em que a tela tá preta com um zunido irritante no fundo e as letrinhas brancas com os dizeres "desligue essa tv e vá ler um livro" se destacam no fundo preto, ou algum espertinho de plantão mesmo.]
Acontece que eu já estou [re]lendo "Clube da Luta", porém eu preciso economizá-lo, senão fico sem ter o que fazer durante intervalo de uma aula pra outra.

Acho que vou aprender tricô.
Ou alguém aí tem sugestão melhor?

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Ô sono.
Acordar às cinco e pegar dois ônibus definitivamente não é vida.
Hum... ondéquié esse negócio hein? Prédio 13. Ah, certo.
E a sala... essa aí. Cheia de gente.
Tá certo. Vam'lá.
*Enrola o cabelo.
*Olha pra baixo.
*Anda e senta.
Certo. Agora... fingir que não estou morrendo de vergonha. Isso se as bochechas não resolverem... xi. Já era. Vermelhinhazinhas, eu suponho.
-Oi.
Acho que é comigo...
-Er... oi.
-Hoje é seu primeiro dia?
-Anram, é sim.
-Hum.
-Hum.
-(...)
-(...)
-Calor, né?
-Ô. Sala quente.
-Pra você ver.
-(...)

Papo de aranha. Bem, é papo, pelo menos. Situação menos constrangedora que eu devo encontrar aqui provavelmente será assistir à aula.
Agora é pensar em alguma coisa pra eu fazer na hora do intervalo, que eu espero que, sinceramente, não dure mais de 20 minutos...



Poizé, as coisas andam acontecendo meio rápido.
Amanhã eu vou pra Bh. Estudar Jornalismo na Puc. [ui.]
Euforia não. O que eu sinto é medo mesmo. Mais apavorada que garotinha de sete anos antes do primeiro dia de aula na escola nova.
É verdade que a situação não se difere muito. Exceto pelo fato de que criancinhas de sete anos tem todo o aval pra molharem a fralda diante de situações como esta. É bonitinho que só vendo. Pra alguém dez anos mais velho, esse comportamento é absurdamente descabido, eu suponho.
É verdade também que, se eu der um jeito nessa minha timidez em mais ou menos 30 horas, eu nem estarei tão em apuros.

E aí, alguém sabe de alguma simpatia, método instantâneo ou qualquer coisa eficiente? Viria a calhar, sem dúvida.

[Sobre saudade e outras coisinhas melosas eu não vou comentar. Já falei demais disso por aqui.]


Bahh. Muito drama.
De forma sucinta: Amanhã vou pra Bh estudar jornalismo na Puc.
E que tudo dê certo. Porque essa covardia toda já tá incomodando é a mim agora.

segunda-feira, janeiro 31, 2005

Digamos que eu não vi o meu nome na lista de aprovados da Ufmg. Não só eu como todos os meus amigos.
E é meio difícil conseguir pensar em alguma coisa consolável pra dizer pra mim e pra quem compartilha esse pequeno desgosto comigo.
Eu só consegui pensar que, talvez mais importante que termos passado ou não no vestibular seja o ano que nós passamos juntos. Que como ele, eu tenho certeza, não vai haver outro.
E a amizade e a relação que todos nós construímos no nosso último ano juntos, é uma das coisas que mais importa.
Papai disse que "tá só começando". E eu concordo por ele.

Só não sei se a frieza com que reagi a notícia decorre do fato de que eu realmente acredito nisso, ou apenas é sinal de que o meu desmonte ainda tá por vir.

É isso. Não me dêem os parabéns, né. Mas acho que também não precisam vir me consolar.
Pelo menos por enquanto.

Ps [por /jinim]: SATAN é o presidente da Copeve.

Ps2 [por mim mesma]: Tô indo pra Guarapari hoje de madrugada. Correr atrás dos trios elétricos, ficar negra, enfim, bolerar demais. [¬¬]
Inté, pessoas.

quinta-feira, janeiro 27, 2005

Observação tão banal quanto intrigante [pelo menos pra mim, né]...

Antes de começar, acho que cabe aqui esclarecer que, possuindo eu a minha vida, não tenho razão pra me preocupar com a alheia. Mas isso não me coloca numa [talvez privilegiada, quem é que sabe?] posição que me permita ignorar todos os que estão a minha volta.
E nessas condições eu acabo por perceber que, não só em Ipatinga, mas em um plano geral, o número de "Alô Fofão's*" aumentou consideravelmente nos últimos tempos.
Nos fotologs, nos perfis do Orkut, no Shopping daqui[em especial nas quartas e sábados], entre outros, a ocorrência de jovens pertencentes às "tribos" anteriormente tidas como "marginais" [Ui.] é impressionante. Não que isso seja ruim; é algo que não faz diferença, na verdade, mas a pouca importância desse fenômeno não o deixa menos intrigante.

Há pouco tempo, numa breve ida ao Shopping [usando este como exemplo, porque creio que lá o tal fenômeno manifesta-se mais intensamente], podia-se perceber a existência de alguns gatos pingados [em sua maioria garotos] vestidos de preto dos pés a cabeça, com excessão da estampa da camisa - sempre de alguma banda - cabelos compridos, e tudo mais. Vez ou outra via-se os "manos", com calça seis números maior que o seu manequim, bonézinho pra trás e pá. Havia também aquelas garotinhas que eu nunca soube exatamente o que eram, com sainhas, all star de cano logo, maria chiquinha, uns apetrechos infantis e outras coisinhas.
Porém, hoje em dia, eu não acho exagero dizer que mais de um terço do Shopping consiste nos tipos descritos acima.
E eu fico é curiosa pra saber quais são as razões que levaram ao surgimento instântaneo dessa nova safra de "Alo Fofão's".
Já pensei ser culpa da Mtv, do Acústico do Marcelo D2, do Acústico do Charlie Brown Jr, da Amy Lee... de um monte de coisas.
Mas o fato é que nunca cheguei a uma conclusão realmente satisfatória, e acabei me contentando com a idéia de que a explicação pra esse fenômeno merece um estudo mais aprofundado, e ai... Dá uma preguiça de mexer com isso...

[*"http://laravedder.blogspot.com/2003_09_14_laravedder_archive.html#106357521989257698" Pros não familiarizados com a expressão, uma explicação bem breve feita há tempos por /jinim .]

domingo, janeiro 23, 2005



"I am so happy that I am alive, in one piece and short.
I'm in a world of shit . . . yes. But I am alive.
And I am not afraid."


Eu ainda não havia assistido "Nascido para Matar" devido a uma certa antipatia que eu tenho por filmes de guerra. Não costumo gostar daquelas cenas de combate com tiro pra todos os lados, soldados morrendo e fazendo aflorar o sentimentalismo de seus amigos, entre outros.
Mas o tédio, somado ao calor que tava me deixando desconfortada hoje, me fizeram aceitar o convite da Ná de ir ver filme na casa dela antes mesmo que ela me dissesse o que iríamos assistir.

Besteira a minha, não ter visto "Full Metal Jacket" [pra variar, preferi o título em inglês] antes. Bem mais que um "espanta-tédio-de-tardes-calorentas-de-sábado", o filme é excelente, do desempenho dos atores a fotografia.
O tal Joker ganhou minha simpatia, e eu já vi que vou morrer de aflição até me lembrar de onde é que eu já ouvi a música que toca quando os créditos sobem. Acho que não é demais pedir pra quem souber o nome me dizer, antes que eu me acabe em meio a minha curiosidade.
E me recuso a comentar mais sobre o filme.

Só digo que é bonzão, de fato.
Assistam, pessoas.