O que a gente faz com os dias que demoram a passar porque não há quem te impeça de dormir até depois do meio dia? E com a pia que vaza e, se faltar providência, continuará vazando até que fique difícil de atravessar do quarto prá sala sem molhar os pés?
Eu tenho que trocar o papel agora, trocar o ralo que não suga e com pouco vai deixar subir aquele cheiro ruim [cheiro que não vem de mim, no entanto; 'esse cheiro ruim que você tá sentindo aí vem do ralo', sim senhor, do ralo. Eu não sou podre esse tanto].
Mas pode, pode mandar subir sim, moça, que do elevador eu escuto o tilintar das risadas, o encher do copo com espumas de diversão. Eu já levo o dedo no som e aumento as músicas de anos atrás que, impressionante, continuam servindo bem por agora. Fica aí, tem espaço [e é bom que eu não duelo com o sono até tarde prá não pensar no medo antes de dormir] , não vai agora, que a próxima música é muito boa, você vai ver, e a gente ainda nem terminou a rodada, eu ainda tenho cinco milhos prá apostar.
Quase uma hora no relógio, e eu não vou arrumar a cama hoje não, se eu posso enrolar até ficar escuro e parar na janela durante as canções calmas e dançar sozinha e pateticamente feliz ao som de tudo o que me dê vontade de mover os pés, de jogar o corpo.
Eu tenho que trocar a roupa agora, tenho que trocar de olhos quase embriagados e dormir, que amanhã é dia outra vez, e eu devo provar prá mim mesma que eu não sou tão pequena, tão calada assim.
[Acho que merecia um post-diarinho o fato de eu ser sozinha, agora. Mas sempre com gente por perto. Eu mesma já valho por muita companhia, mas não nesse sentido; eu tenho é que dar um jeito de emagrecer mesmo.]
domingo, maio 06, 2007
segunda-feira, abril 16, 2007
Shakedown 1979,
e aquela vontade agridoce - porque nostalgia é infalivelmente doceamarga - de fechar os olhos numa gargalhada e fitar a rua do alto dos fios dum poste que se acendia anos atrás.
Aquele desejo frustrado - porque nostalgia fere branda na falta de expectativa - de me agarrar aos ponteiros do relógio até que eles se rendam e eu consiga corrigir todo o tempo que nos faltou prá consolidar nosso passado como o bastante - crianças legais não precisam de futuro.
E essa minha amargura... eu que jamais pensei duas vezes antes de arrancar do corpo os meus conceitos para jogá-los amarrotados no armário, contando que vocês me esperassem na esquina seguinte com garrafas e risos suficientes para todos nós.
Não sabíamos, e por mais que passe tempo, eu ainda não sei o que será dos nossos ossos. Talvez o pó... Hoje o grito das ruas me assusta e eu já não me atrevo a galgar a eletricidade dos fios.
[Eu paro. Por essa hora as lembranças já me cortam demais.]
Abro os olhos e, veja você: não há ninguém por perto.
.
.
.
[Talvez eu devesse me preocupar em fazer algo que se bastasse sozinho. Mas eu não tenho conseguido pensar em passado e nostalgia sem que o 'bom bom borom bom-bom borom bom bom' de 1979 me venha à cabeça. Quase uma ode, então, daquelas que envergonham o objeto de homenagem por serem assim, tão menores. Mas eu costumo não ser pretensiosa, e não me arriscaria jamais em dizer que qualquer coisa que eu cuspa, ou qualquer coisa que eu me esforce em fazer parecer digna, está a altura disso: http://www.youtube.com/watch?v=fZ2osNmKvNc.]
Aquele desejo frustrado - porque nostalgia fere branda na falta de expectativa - de me agarrar aos ponteiros do relógio até que eles se rendam e eu consiga corrigir todo o tempo que nos faltou prá consolidar nosso passado como o bastante - crianças legais não precisam de futuro.
E essa minha amargura... eu que jamais pensei duas vezes antes de arrancar do corpo os meus conceitos para jogá-los amarrotados no armário, contando que vocês me esperassem na esquina seguinte com garrafas e risos suficientes para todos nós.
Não sabíamos, e por mais que passe tempo, eu ainda não sei o que será dos nossos ossos. Talvez o pó... Hoje o grito das ruas me assusta e eu já não me atrevo a galgar a eletricidade dos fios.
[Eu paro. Por essa hora as lembranças já me cortam demais.]
Abro os olhos e, veja você: não há ninguém por perto.
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[Talvez eu devesse me preocupar em fazer algo que se bastasse sozinho. Mas eu não tenho conseguido pensar em passado e nostalgia sem que o 'bom bom borom bom-bom borom bom bom' de 1979 me venha à cabeça. Quase uma ode, então, daquelas que envergonham o objeto de homenagem por serem assim, tão menores. Mas eu costumo não ser pretensiosa, e não me arriscaria jamais em dizer que qualquer coisa que eu cuspa, ou qualquer coisa que eu me esforce em fazer parecer digna, está a altura disso: http://www.youtube.com/watch?v=fZ2osNmKvNc.]
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
Le Temps Détruit Tout.
[Para Camilla]
Eu me encontro hoje envolto naquele tormento tão conhecido de tempos anteriores, a riscar o papel com as costas da mão na tentativa de resgatar do sono as melhores palavras, as únicas bonitas e polidas o suficiente prá fazer acender os seus olhos. [É fato que nunca os vi no momento exato em que você lia minhas ridículas cartas de amor, - porque você sabe do clichê máximo, sabe que elas não teriam amor se não fossem ridículas - mas é assim, brilhantes, que eu gostava de imaginá-los enquanto percorriam minha letra esguia e confusa pela folha.]
Hoje, ironicamente, a confusão inicial me parece ser maior. Tenho a impressão de que as palavras das quais necessito agora dormem mais no fundo, e não sinto ter a habilidade de conseguir acordá-las a tempo de não te magoar com a minha falta de talento traduzida em rispidez.
É que me parece tão mais fácil bancar o parnasiano com as coisas que não precisam ser ditas, e é tão mais cômodo fazer das redundâncias [péssimas] metáforas, que eu devo ter me esquecido em algum ponto disso tudo como é que se fala daquilo que não é evidente e que, por isso mesmo, precisa ser dito.
A minha impotência me colocará apoiado em outros agora, e eu imagino que será isso o que mais te fará encher-se de cólera: com a carcaça das aspas a me proteger será difícil acertar em mim os golpes os cuspes os olhares - estes os mais dolorosos - de fúria.
"O tempo destrói tudo", Camilla, e ainda que evocar a luz impossível de teus olhos faça passar por mim um breve redemoinho agridoce [mais doce que amargo, pois trata-se você], o resto, o antes tudo, já não cabe mais, e esse atual desencaixe dói em mim como poucas coisas já doeram.
As lembranças, você saiba que eu as guardarei todas em mim e que cuidarei prá que nenhuma escape. Já quanto ao tempo... bem, quanto a esse eu serei o covarde de sempre, deixando meu corpo e tudo o que haja mais entregue a sua navalha, já que eu não penso haver outro recurso contra senhores deste porte.
Que você não me odeie pela falta [ou pelo excesso, eu nunca me sei.] de ridículo desta carta.
[De Arturo]
.
.
.
{Da Camilla e do Arturo eu não esqueço nem quando fico quase 3 meses sem dar as caras por aqui. Quase uma da manhã, de férias, assistindo mais tv do que deveria e sentindo mais saudades do que o possível. Não dava prá mais que isso... que fique como distração.}
sábado, dezembro 23, 2006
Como não podia deixar de ser.
Talvez piores que os hábitos realmente difíceis de se perder sejam os hábitos que não se quer perder, mas que, com o passar do tempo, parecem não ter mais propósito.
Hum. Faz um pouco de sentido, mas não o tanto necessário prá ilustrar o egocentrismo que segue, calcado na desculpa de quase tradição - e podem existir tradições nascidas há menos de cinco anos? Talvez seja uma questão proporcional. Enfim.
O tal post e fim de ano: comentário ridiculamente auto-avaliativo sobre as coisas que me foram durante o ano que passou.
Dessa vez eu bem podia fazer comparações simplistas e dizer que eu percebi que quanto mais entro nas letras menos contato prático eu tenho com elas; que quanto mais o tempo passa menos eu tenho a necessidade de me levar a sério; que aprender a lidar com distância não é, assim, algo tão terrível; entre tantas outras coisas que agora eu consigo ver através da névoa de todos os dias que ficaram em 2006.
Mas, ouvindo uma das minhas músicas mais bonitas entre tantas outras, e sentindo uma saudade que chega a me dar raiva [eu, que sempre pensei que saudade matava mansa e aos poucos, nunca a imaginei assim, nervosa e convulsa como ela me é agora.], vou repetir um garoto e uns garotos, prá dizer que, sobre o ano que termina, as coisas podem ser resumidas de um jeito simples: "All you need is love."
Prá vocês, um 2007 feito de abraços de verdade, sorrisos e crises de riso, ressacas que valham a pena, desconstrução de velhos conceitos [achei pedante, hein?] e construção de outros, também tão prestes a serem destruídos.
E comam muito e tenham um natal feliz. :)
[Eu volto por aqui em Janeiro, mais nêga e menos brega, quem sabe.]
Hum. Faz um pouco de sentido, mas não o tanto necessário prá ilustrar o egocentrismo que segue, calcado na desculpa de quase tradição - e podem existir tradições nascidas há menos de cinco anos? Talvez seja uma questão proporcional. Enfim.
O tal post e fim de ano: comentário ridiculamente auto-avaliativo sobre as coisas que me foram durante o ano que passou.
Dessa vez eu bem podia fazer comparações simplistas e dizer que eu percebi que quanto mais entro nas letras menos contato prático eu tenho com elas; que quanto mais o tempo passa menos eu tenho a necessidade de me levar a sério; que aprender a lidar com distância não é, assim, algo tão terrível; entre tantas outras coisas que agora eu consigo ver através da névoa de todos os dias que ficaram em 2006.
Mas, ouvindo uma das minhas músicas mais bonitas entre tantas outras, e sentindo uma saudade que chega a me dar raiva [eu, que sempre pensei que saudade matava mansa e aos poucos, nunca a imaginei assim, nervosa e convulsa como ela me é agora.], vou repetir um garoto e uns garotos, prá dizer que, sobre o ano que termina, as coisas podem ser resumidas de um jeito simples: "All you need is love."
Prá vocês, um 2007 feito de abraços de verdade, sorrisos e crises de riso, ressacas que valham a pena, desconstrução de velhos conceitos [achei pedante, hein?] e construção de outros, também tão prestes a serem destruídos.
E comam muito e tenham um natal feliz. :)
[Eu volto por aqui em Janeiro, mais nêga e menos brega, quem sabe.]
segunda-feira, dezembro 04, 2006
...prá que rimar amor e dor?
Talvez porque, salvo o caso de você ser um Cortázar, só a tônica do amor não presta, não desenvolve.
Se você escreve prá dar cabo na inquietação que fica após aquele filme que depois de alguns anos ficou tão melhor, se as frases não te tomam prisioneiro e te colocam maluco até que paridas num papel [elas vêm mesmo é na passagem da sala pro quarto; nos olhos que não se fecham só prá dormir; numa inútil abrida de geladeira - e vêm cruas e descabidas como os próprios atos que as fomentam, sem pretensão de se tornarem um dia concisas e bonitas como uma birosca.], se não te sobra intimidade com as letras prá fazer de coisa como amor e só amor algo bonito sem ser piegas, a minha receita é simples:
Daquele senhor, cujas rugas já são tão fundas que parecem dizer de todos os gestos por ele já feitos, ao mesmo tempo em que anunciam os movimentos futuros, cate a dor duma perda imaginária, talvez inexistente. Da moça que caminha displicente, como se ser bonita daquele jeito fosse coisa normal, procure a dor que ela plantou em todos aqueles que presenciaram um 'não' sair dançando de sua boca prá pousar cortante em ouvidos infelizes. E se você não tiver caráter nenhum, vale até catar as desilusões de jardim-de-infância do garotinho que volta cabisbaixo prá casa, as duas paçoquinhas na mão - uma por ela rejeitada, e a outra que ele já não quis depois que o apetite foi dar uma volta.
Desligue Caetano quando ele vier indagar o porque da sua rima, junte as dores alheias com alguma que você já deve ter tido, caia no óbvio, mas mate - não definitivo, óbvio - aquela inquietação que sabe-se lá porque te surgiu.
[O trabalho do Fernando Pessoa não me fez bem, mesmo.]
Se você escreve prá dar cabo na inquietação que fica após aquele filme que depois de alguns anos ficou tão melhor, se as frases não te tomam prisioneiro e te colocam maluco até que paridas num papel [elas vêm mesmo é na passagem da sala pro quarto; nos olhos que não se fecham só prá dormir; numa inútil abrida de geladeira - e vêm cruas e descabidas como os próprios atos que as fomentam, sem pretensão de se tornarem um dia concisas e bonitas como uma birosca.], se não te sobra intimidade com as letras prá fazer de coisa como amor e só amor algo bonito sem ser piegas, a minha receita é simples:
Daquele senhor, cujas rugas já são tão fundas que parecem dizer de todos os gestos por ele já feitos, ao mesmo tempo em que anunciam os movimentos futuros, cate a dor duma perda imaginária, talvez inexistente. Da moça que caminha displicente, como se ser bonita daquele jeito fosse coisa normal, procure a dor que ela plantou em todos aqueles que presenciaram um 'não' sair dançando de sua boca prá pousar cortante em ouvidos infelizes. E se você não tiver caráter nenhum, vale até catar as desilusões de jardim-de-infância do garotinho que volta cabisbaixo prá casa, as duas paçoquinhas na mão - uma por ela rejeitada, e a outra que ele já não quis depois que o apetite foi dar uma volta.
Desligue Caetano quando ele vier indagar o porque da sua rima, junte as dores alheias com alguma que você já deve ter tido, caia no óbvio, mas mate - não definitivo, óbvio - aquela inquietação que sabe-se lá porque te surgiu.
[O trabalho do Fernando Pessoa não me fez bem, mesmo.]
terça-feira, novembro 21, 2006
prá lembrar.
Depois de sentir na cabeça dolorida e no corpo cansado o resultado da minha - sempre - procrastinação, eu me lembrei daquele tempo em que isso aqui ainda era tão meu que eu quase que nem pensava duas vezes prá escrever qualquer coisa.
Não sei se foi o meu próprio alheiamento de mim mesma, ou se foi o olhar que começaram a lançar pros cantos de cá. Sei que hoje em dia ainda há receio.
Mas, prá lembrar de quando eu ainda tinha coragem de dizer com as minhas músicas [algumas tantas que hoje em dia já nem me agradam. é estranho isso de o tempo passar, né?], e prá esquecer do tanto de coisas que eu tenho que fazer nesse fim de semestre.
All is full of love
Björk
"You'll be given love,
You'll be taken care of.
You'll be given love,
You have to trust it.
Maybe not from the sources
You have poured yours.
Maybe not from the directions
You are staring at...
Twist your head around:
It's all around you.
All is full of love,
All around you.
All is full of love,
[You just aint receiving.]
All is full of love,
[Your phone is off the hook.]
All is full of love,
[Your doors are all shut.]
All is full of love!
All is full of love, all is full of love...
All is full of love, all is full of love..."
[É lindo. E tem vídeo! ;)]
Não sei se foi o meu próprio alheiamento de mim mesma, ou se foi o olhar que começaram a lançar pros cantos de cá. Sei que hoje em dia ainda há receio.
Mas, prá lembrar de quando eu ainda tinha coragem de dizer com as minhas músicas [algumas tantas que hoje em dia já nem me agradam. é estranho isso de o tempo passar, né?], e prá esquecer do tanto de coisas que eu tenho que fazer nesse fim de semestre.
All is full of love
Björk
"You'll be given love,
You'll be taken care of.
You'll be given love,
You have to trust it.
Maybe not from the sources
You have poured yours.
Maybe not from the directions
You are staring at...
Twist your head around:
It's all around you.
All is full of love,
All around you.
All is full of love,
[You just aint receiving.]
All is full of love,
[Your phone is off the hook.]
All is full of love,
[Your doors are all shut.]
All is full of love!
All is full of love, all is full of love...
All is full of love, all is full of love..."
[É lindo. E tem vídeo! ;)]
segunda-feira, novembro 13, 2006
Você [não] precisa saber de mim...
...mas eu sou egocêntrica o bastante prá querer te contar.
Dos dias que ficaram prá trás, e que ás vezes me parecem ser tantos e terem se perdido há tanto tempo, que me esmagam de um jeito que eu nem saberia explicar. [E me esmagam pelo simples fato de já terem se ido, e de parecerem, mesmo assim, congelados nos lugares pelos quais eu passei. Dias que servem agora de cenário para outras marionetes dançarem. (Já se sabe, há tanto tempo!, que ninguém nunca é tireteiro de si próprio).]
De tudo que eu já vi e nunca mais verei, devido ao simples fato de que as coisas não se deixam ser duas vezes. [Por exemplo a lataria azul-forte do ônibus, que, mais ou menos molhada de chuva, me contava que eu podia descobrir a felicidade bem ali, naquele achar bonito algo que antes me fora tão banal.]
E das coisas que ainda virão; as coisas que eu tento desenhar de acordo com as cores da minha vontade; aquelas coisas e situações que eu crio prá mim e que eu não posso, não devo e não quero deixar escorrerem das minhas mãos, ainda que eu não vá nunca poder apalpá-las.
[Uma besteira dessas vez ou outra, uma tentativa dum escrever mascaradamente feliz, que agora eu sou boba, agora eu posso. E você precisa aprender o que eu sei, e o que eu não sei mais.
Boa noite, eu não vou fazer o trabalho que tinha prá hoje não. :)]
Ouvir aquela canção do "Roberto"...
Dos dias que ficaram prá trás, e que ás vezes me parecem ser tantos e terem se perdido há tanto tempo, que me esmagam de um jeito que eu nem saberia explicar. [E me esmagam pelo simples fato de já terem se ido, e de parecerem, mesmo assim, congelados nos lugares pelos quais eu passei. Dias que servem agora de cenário para outras marionetes dançarem. (Já se sabe, há tanto tempo!, que ninguém nunca é tireteiro de si próprio).]
De tudo que eu já vi e nunca mais verei, devido ao simples fato de que as coisas não se deixam ser duas vezes. [Por exemplo a lataria azul-forte do ônibus, que, mais ou menos molhada de chuva, me contava que eu podia descobrir a felicidade bem ali, naquele achar bonito algo que antes me fora tão banal.]
E das coisas que ainda virão; as coisas que eu tento desenhar de acordo com as cores da minha vontade; aquelas coisas e situações que eu crio prá mim e que eu não posso, não devo e não quero deixar escorrerem das minhas mãos, ainda que eu não vá nunca poder apalpá-las.
[Uma besteira dessas vez ou outra, uma tentativa dum escrever mascaradamente feliz, que agora eu sou boba, agora eu posso. E você precisa aprender o que eu sei, e o que eu não sei mais.
Boa noite, eu não vou fazer o trabalho que tinha prá hoje não. :)]
Ouvir aquela canção do "Roberto"...
quinta-feira, outubro 26, 2006
esse mesmo.
Quando o dia já ia querendo se acabar, e punha violeta no céu como se dissesse "até" com todo aquele arrombo pros olhos, eu me lembro de vê-lo chegar vagaroso até o quintal de sua casa, e, com seus passinhos trêmulos de quem sente a morte roçar as orelhas, entrar na pequena piscina. Indo prá lá e prá cá com uma paz que, talvez no mundo todo só nós dois entenderíamos àquela hora, ele findava seu dia e inaugurava meu sorriso doído, aquele que a gente guarda prá quando das coisas que, de tão singelas, chegam a machucar.
Não calculo bem o dia exaato em que eu me pus no parapeito da janela e, ao olhar prá baixo, na tentativa furtiva de me acalmar de todo um dia vivido, deparei-me apenas com o azul-sem-graça dos azulejos tremulando bobos na água; alguns meio manchados de lodo e sujos, como todo o resto do quintal.
Teria o tempo se adiantado sem que eu me desse conta, ou será que se morre mesmo é assim, num instante só, sem que a gente que fica pelo menos desconfie do que vai acontecer?
Nem o tempo nem o senhor deram-me pista de quão imersa eu estava nas pequenas [e por vezes medíocres] preocupações que constroem uma vida [por vezes pequena, por vezes medíocre]. Prá mim eles só deixaram o estranhamento do azul-piscina imóvel, e o desconforto desses fins de tarde, agora tão menos pacíficos.
[- Porque o amor das coisas no seu
tempo futuro
é terrivelmente profundo, é suave,
devastador.]
Herberto Helder.
Não calculo bem o dia exaato em que eu me pus no parapeito da janela e, ao olhar prá baixo, na tentativa furtiva de me acalmar de todo um dia vivido, deparei-me apenas com o azul-sem-graça dos azulejos tremulando bobos na água; alguns meio manchados de lodo e sujos, como todo o resto do quintal.
Teria o tempo se adiantado sem que eu me desse conta, ou será que se morre mesmo é assim, num instante só, sem que a gente que fica pelo menos desconfie do que vai acontecer?
Nem o tempo nem o senhor deram-me pista de quão imersa eu estava nas pequenas [e por vezes medíocres] preocupações que constroem uma vida [por vezes pequena, por vezes medíocre]. Prá mim eles só deixaram o estranhamento do azul-piscina imóvel, e o desconforto desses fins de tarde, agora tão menos pacíficos.
[- Porque o amor das coisas no seu
tempo futuro
é terrivelmente profundo, é suave,
devastador.]
Herberto Helder.
quinta-feira, outubro 19, 2006
puêrá, á á...
[O dia já se borrou de rosa fresco várias vezes, mas as mãos continuam tremendo, talvez prá compensar a quietude na qual se meteram as idéias.
Contudo há as antigas, sempre, cheias daqueles pontos e palavras que, quando não matam de vergonha, matam de saudade.
De uns dois, três meses atrás, então, ainda em Diamantina, depois dum pouquinho de Bossa Nova - e os ouvidos grudados especialmente nessa.]
Um corpo que oscila entre radiante talhado dilacerado febril apaixonado e apaixonado e apaixonado.
Um corpo nunca completo, a clamar a todo o tempo pelo corpo de outro; corpo do outro.
E, ainda que satisfeito na fugacidade d´alguns instantes, não se permite o sossego: faz de canto a purgação da felicidade, da sensação de que "tudo se fez o que tinha de ser".
Corpo que antevê as cicatrizes e mesmo assim se põe a elas entregue. Na dificuldade da esquiva não quista é impotente, frágil, nunca senhor de si.
Sobretudo é corpo que não se acaba em si mesmo ? Leva a outros corpos, decerto tão radiantes talhados dilacerados febris e apaixonados e apaixonados e apaixonados, a dor agridoce de não se saber ser inteiro em um corpo só.
(Ah, vai. Tinha um contexto, juro.)
Contudo há as antigas, sempre, cheias daqueles pontos e palavras que, quando não matam de vergonha, matam de saudade.
De uns dois, três meses atrás, então, ainda em Diamantina, depois dum pouquinho de Bossa Nova - e os ouvidos grudados especialmente nessa.]
Um corpo que oscila entre radiante talhado dilacerado febril apaixonado e apaixonado e apaixonado.
Um corpo nunca completo, a clamar a todo o tempo pelo corpo de outro; corpo do outro.
E, ainda que satisfeito na fugacidade d´alguns instantes, não se permite o sossego: faz de canto a purgação da felicidade, da sensação de que "tudo se fez o que tinha de ser".
Corpo que antevê as cicatrizes e mesmo assim se põe a elas entregue. Na dificuldade da esquiva não quista é impotente, frágil, nunca senhor de si.
Sobretudo é corpo que não se acaba em si mesmo ? Leva a outros corpos, decerto tão radiantes talhados dilacerados febris e apaixonados e apaixonados e apaixonados, a dor agridoce de não se saber ser inteiro em um corpo só.
(Ah, vai. Tinha um contexto, juro.)
domingo, outubro 15, 2006
nem.
Hoje eu vou ignorar essa inquietude e fingir que não. Nem há nada a ser dito por enquanto.
[talvez de manhã, talvez já com fôlego, talvez sem as mãos sempre trêmulas e a cabeça nos dias passados.]
Que sentir só faz embolar as pernas e as palavras.
Boa noite.
:)
[talvez de manhã, talvez já com fôlego, talvez sem as mãos sempre trêmulas e a cabeça nos dias passados.]
Que sentir só faz embolar as pernas e as palavras.
Boa noite.
:)
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