Depois de sentir na cabeça dolorida e no corpo cansado o resultado da minha - sempre - procrastinação, eu me lembrei daquele tempo em que isso aqui ainda era tão meu que eu quase que nem pensava duas vezes prá escrever qualquer coisa.
Não sei se foi o meu próprio alheiamento de mim mesma, ou se foi o olhar que começaram a lançar pros cantos de cá. Sei que hoje em dia ainda há receio.
Mas, prá lembrar de quando eu ainda tinha coragem de dizer com as minhas músicas [algumas tantas que hoje em dia já nem me agradam. é estranho isso de o tempo passar, né?], e prá esquecer do tanto de coisas que eu tenho que fazer nesse fim de semestre.
All is full of love
Björk
"You'll be given love,
You'll be taken care of.
You'll be given love,
You have to trust it.
Maybe not from the sources
You have poured yours.
Maybe not from the directions
You are staring at...
Twist your head around:
It's all around you.
All is full of love,
All around you.
All is full of love,
[You just aint receiving.]
All is full of love,
[Your phone is off the hook.]
All is full of love,
[Your doors are all shut.]
All is full of love!
All is full of love, all is full of love...
All is full of love, all is full of love..."
[É lindo. E tem vídeo! ;)]
terça-feira, novembro 21, 2006
segunda-feira, novembro 13, 2006
Você [não] precisa saber de mim...
...mas eu sou egocêntrica o bastante prá querer te contar.
Dos dias que ficaram prá trás, e que ás vezes me parecem ser tantos e terem se perdido há tanto tempo, que me esmagam de um jeito que eu nem saberia explicar. [E me esmagam pelo simples fato de já terem se ido, e de parecerem, mesmo assim, congelados nos lugares pelos quais eu passei. Dias que servem agora de cenário para outras marionetes dançarem. (Já se sabe, há tanto tempo!, que ninguém nunca é tireteiro de si próprio).]
De tudo que eu já vi e nunca mais verei, devido ao simples fato de que as coisas não se deixam ser duas vezes. [Por exemplo a lataria azul-forte do ônibus, que, mais ou menos molhada de chuva, me contava que eu podia descobrir a felicidade bem ali, naquele achar bonito algo que antes me fora tão banal.]
E das coisas que ainda virão; as coisas que eu tento desenhar de acordo com as cores da minha vontade; aquelas coisas e situações que eu crio prá mim e que eu não posso, não devo e não quero deixar escorrerem das minhas mãos, ainda que eu não vá nunca poder apalpá-las.
[Uma besteira dessas vez ou outra, uma tentativa dum escrever mascaradamente feliz, que agora eu sou boba, agora eu posso. E você precisa aprender o que eu sei, e o que eu não sei mais.
Boa noite, eu não vou fazer o trabalho que tinha prá hoje não. :)]
Ouvir aquela canção do "Roberto"...
Dos dias que ficaram prá trás, e que ás vezes me parecem ser tantos e terem se perdido há tanto tempo, que me esmagam de um jeito que eu nem saberia explicar. [E me esmagam pelo simples fato de já terem se ido, e de parecerem, mesmo assim, congelados nos lugares pelos quais eu passei. Dias que servem agora de cenário para outras marionetes dançarem. (Já se sabe, há tanto tempo!, que ninguém nunca é tireteiro de si próprio).]
De tudo que eu já vi e nunca mais verei, devido ao simples fato de que as coisas não se deixam ser duas vezes. [Por exemplo a lataria azul-forte do ônibus, que, mais ou menos molhada de chuva, me contava que eu podia descobrir a felicidade bem ali, naquele achar bonito algo que antes me fora tão banal.]
E das coisas que ainda virão; as coisas que eu tento desenhar de acordo com as cores da minha vontade; aquelas coisas e situações que eu crio prá mim e que eu não posso, não devo e não quero deixar escorrerem das minhas mãos, ainda que eu não vá nunca poder apalpá-las.
[Uma besteira dessas vez ou outra, uma tentativa dum escrever mascaradamente feliz, que agora eu sou boba, agora eu posso. E você precisa aprender o que eu sei, e o que eu não sei mais.
Boa noite, eu não vou fazer o trabalho que tinha prá hoje não. :)]
Ouvir aquela canção do "Roberto"...
quinta-feira, outubro 26, 2006
esse mesmo.
Quando o dia já ia querendo se acabar, e punha violeta no céu como se dissesse "até" com todo aquele arrombo pros olhos, eu me lembro de vê-lo chegar vagaroso até o quintal de sua casa, e, com seus passinhos trêmulos de quem sente a morte roçar as orelhas, entrar na pequena piscina. Indo prá lá e prá cá com uma paz que, talvez no mundo todo só nós dois entenderíamos àquela hora, ele findava seu dia e inaugurava meu sorriso doído, aquele que a gente guarda prá quando das coisas que, de tão singelas, chegam a machucar.
Não calculo bem o dia exaato em que eu me pus no parapeito da janela e, ao olhar prá baixo, na tentativa furtiva de me acalmar de todo um dia vivido, deparei-me apenas com o azul-sem-graça dos azulejos tremulando bobos na água; alguns meio manchados de lodo e sujos, como todo o resto do quintal.
Teria o tempo se adiantado sem que eu me desse conta, ou será que se morre mesmo é assim, num instante só, sem que a gente que fica pelo menos desconfie do que vai acontecer?
Nem o tempo nem o senhor deram-me pista de quão imersa eu estava nas pequenas [e por vezes medíocres] preocupações que constroem uma vida [por vezes pequena, por vezes medíocre]. Prá mim eles só deixaram o estranhamento do azul-piscina imóvel, e o desconforto desses fins de tarde, agora tão menos pacíficos.
[- Porque o amor das coisas no seu
tempo futuro
é terrivelmente profundo, é suave,
devastador.]
Herberto Helder.
Não calculo bem o dia exaato em que eu me pus no parapeito da janela e, ao olhar prá baixo, na tentativa furtiva de me acalmar de todo um dia vivido, deparei-me apenas com o azul-sem-graça dos azulejos tremulando bobos na água; alguns meio manchados de lodo e sujos, como todo o resto do quintal.
Teria o tempo se adiantado sem que eu me desse conta, ou será que se morre mesmo é assim, num instante só, sem que a gente que fica pelo menos desconfie do que vai acontecer?
Nem o tempo nem o senhor deram-me pista de quão imersa eu estava nas pequenas [e por vezes medíocres] preocupações que constroem uma vida [por vezes pequena, por vezes medíocre]. Prá mim eles só deixaram o estranhamento do azul-piscina imóvel, e o desconforto desses fins de tarde, agora tão menos pacíficos.
[- Porque o amor das coisas no seu
tempo futuro
é terrivelmente profundo, é suave,
devastador.]
Herberto Helder.
quinta-feira, outubro 19, 2006
puêrá, á á...
[O dia já se borrou de rosa fresco várias vezes, mas as mãos continuam tremendo, talvez prá compensar a quietude na qual se meteram as idéias.
Contudo há as antigas, sempre, cheias daqueles pontos e palavras que, quando não matam de vergonha, matam de saudade.
De uns dois, três meses atrás, então, ainda em Diamantina, depois dum pouquinho de Bossa Nova - e os ouvidos grudados especialmente nessa.]
Um corpo que oscila entre radiante talhado dilacerado febril apaixonado e apaixonado e apaixonado.
Um corpo nunca completo, a clamar a todo o tempo pelo corpo de outro; corpo do outro.
E, ainda que satisfeito na fugacidade d´alguns instantes, não se permite o sossego: faz de canto a purgação da felicidade, da sensação de que "tudo se fez o que tinha de ser".
Corpo que antevê as cicatrizes e mesmo assim se põe a elas entregue. Na dificuldade da esquiva não quista é impotente, frágil, nunca senhor de si.
Sobretudo é corpo que não se acaba em si mesmo ? Leva a outros corpos, decerto tão radiantes talhados dilacerados febris e apaixonados e apaixonados e apaixonados, a dor agridoce de não se saber ser inteiro em um corpo só.
(Ah, vai. Tinha um contexto, juro.)
Contudo há as antigas, sempre, cheias daqueles pontos e palavras que, quando não matam de vergonha, matam de saudade.
De uns dois, três meses atrás, então, ainda em Diamantina, depois dum pouquinho de Bossa Nova - e os ouvidos grudados especialmente nessa.]
Um corpo que oscila entre radiante talhado dilacerado febril apaixonado e apaixonado e apaixonado.
Um corpo nunca completo, a clamar a todo o tempo pelo corpo de outro; corpo do outro.
E, ainda que satisfeito na fugacidade d´alguns instantes, não se permite o sossego: faz de canto a purgação da felicidade, da sensação de que "tudo se fez o que tinha de ser".
Corpo que antevê as cicatrizes e mesmo assim se põe a elas entregue. Na dificuldade da esquiva não quista é impotente, frágil, nunca senhor de si.
Sobretudo é corpo que não se acaba em si mesmo ? Leva a outros corpos, decerto tão radiantes talhados dilacerados febris e apaixonados e apaixonados e apaixonados, a dor agridoce de não se saber ser inteiro em um corpo só.
(Ah, vai. Tinha um contexto, juro.)
domingo, outubro 15, 2006
nem.
Hoje eu vou ignorar essa inquietude e fingir que não. Nem há nada a ser dito por enquanto.
[talvez de manhã, talvez já com fôlego, talvez sem as mãos sempre trêmulas e a cabeça nos dias passados.]
Que sentir só faz embolar as pernas e as palavras.
Boa noite.
:)
[talvez de manhã, talvez já com fôlego, talvez sem as mãos sempre trêmulas e a cabeça nos dias passados.]
Que sentir só faz embolar as pernas e as palavras.
Boa noite.
:)
quinta-feira, setembro 21, 2006
títulos ás vezes são imbecis.
Passou tanto um tempo e tantas foram as coisas que me atravessaram, mas eu ainda não sei medir quanto foi que se desvaneceu nas folhinhas arrancadas da parede e o que foi que se solidificou por aqui, somo se, porque arraigado hoje, não fosse me abandonar mais.
Aquele frio que não se esvai com qualquer calor, e o peito convulso e desesperado eu já conhecia de outros anos, mais imaturos e confusos, mas nem por isso foi menor a minha surpresa ao perceber que eles não são característicos de uma época, e sim desse conjunto de peles e ossos e pêlos e carnes que não concordam entre si.
É que talvez já fosse prá eu saber que aquelas notas e letras ainda me são [des]necessárias, e vão sempre fazer das minhas intrusas "auto-invasões" esse monte de soluços prá dentro, a acusar o que foi que sobrou de infância em mim.
[monotemática, monotemática, monotemática. eu já ia dizer que é fase e que passa, mas, sabe como? se 'o blogueiro é um fingidor' já era prá eu ter posto a cabeça prá funcionar há muito tempo... as coisas são largadas aos poucos, mesmo. "foimal aêêê véi. disculpintão!" ¬¬]
[Edited}
Palavras também.
terça-feira, setembro 12, 2006
where is Donnie?

[legendinha desnecessária a da foto. e essa aqui também.]
A nebilina de dia que nasce desperta Donnie, que ia jogado no acostamento da rodovia a dormir sabe-se lá desde quando. O menino levanta meio confuso, sacode a cabeça prá dar jeito nas idéias e ri com o canto da boca ao [não] lembrar-se do ontem. Põe-se sob a bicicleta e pedala com a pressa dos novos até sua casa.
Pros ouvidos, Killing Moon.
É por cenas como esta que Donnie Darko me ganhou. Eu não vou mentir e negar que a trilha sonora, extremamente bem composta pelo melhor da década de oitenta [com direito a Love will tear us apart, uma das minhas favoritas entre as dessa época, e talvez até entre todas as músicas], tem grande importância no meu apreço pelo filme, mas há tanto mais.
Prá dizer do enredo, este sustenta-se no protagonista que dá nome ao filme: um adolescente com distúrbios psicológicos aliados à óbvia dificuldade de se ter uns dezesseis anos. Daí para sair perâmbulando sonâmbulo pela vizinhança e bater um papo com Frank - um coelho gigante e assustador que ele adota como amigo imaginário - é um pulo.
É fato que se não for tratado com certa cautela, este tipo de mote pode não conseguir desenvolver mais que outro filme de "adolescente doidinho", mas em Donnie Darko, as questões abordadas, a forma inusitada com a qual a câmera as retrata, o bom desempenho da maioria dos atores e o toque de absurdo que permeia toda a história culminam em um resultado final excelente.
Dirigido por Richard Kelly, produzido por Drew Barrymore [ééé, aquela que fez E.T, foi Pantera e hoje em dia passa bem com o Fabrizio dos Strokes] e protagonizado por Jake Gyllenhal [o moreno de Brokeback Mountain], Donnie Darko foi filmado em 2001, mas por passar-se em 1989, recria perfeitamente aquela estética própria da transição do 'zanzoitenta' para os noventa - com direito a participação de Patrick-I-had-the-time-of-my-life-Swayze e cintão de um palmo na cintura de Drew Barrymore.
Só é meio difícil de achar [eu consegui assistir ontem, numa exibição no CCBH, depois de procurar muito].
Mas dê seu jeito, se vire. É daqueles que deve ser assistido.
segunda-feira, agosto 28, 2006
Primeiro [ou Junkie Mirim]
Fazia sol? Eu nem lembro se fazia sol. Eu lembro que tinha areia - aos montes e montes! - e a pele toda seca de sal, pensei até que podia se rasgar que nem papel se alguém quisesse.
Dava prá ver só os peitos do zoto lá da minha cadeira, que o resto todo o tampo da mesa tampava. Porque é que gente grande faz as mesas tão altas se criança também vai sentar nelas? Eu achava tudo muito errado, essa coisa de ter que me espichar toda no meu assento prá acompanhar as conversas da roda, como se ali nem fosse lugar prá mim. Ora, colo de pai servia então era prá isso, além de que o apoio é tão melhor.
Na altura que eu queria, agora sim, começava a ficar bom. Faltava era só meu guaraná, talvez. Mas pai cantava um samba tão alto e deixava tanto a gente ver os seus dentes, que não me ouviria de jeito nenhum, nem que eu puxasse a beirinha da camisa dele.
Fui nos guaranazes que já estavam na mesa, então. Eram mais amarelinhos e tinham até mais espuma, mas vai ver era só uma marca diferente, o meu irmão ele tinha levado lá em casa outro dia um que nem gosto de guaraná tinha, parecia era aqueles sucos da merenda da escola, tão doce.
Quando me viram levar o copo amarelo na boca teve quem riu e teve quem fez bico de não. Eu entortei a cara, que aquilo ali era meio amargo demais e não parecia nem de longe com o gosto ardidinho que eu ia esperando. Mas pai não cansava de nem me perceber, e a sede que ia aumentando eu resolvi que ia matar ali mesmo, no seu copo. Não demorou e, sabe que eu já nem sentia mais sede?
Tava preocupada era em rir riso dos outros, esquecida numa vontade estranha de cantar bem alto, de sair correndo onde é que fosse, de mandar longe os chinelos e pegar onda - todas.
Não sei direito como, mas foram me achar perdida em gargalhadas já na beira do mar, querendo - eles que falam - medir o limite certinho onde água não pegava areia, cortando com passadas tontas a maré, me derrubando no raso das águas, desfeita do biquininho verde, que já ia boiando longe.
[A gente cresce e aprende (pelo menos tenta aprender) a medir - a quatidade e as consequências. Uma pena, convenhamos.]
Dava prá ver só os peitos do zoto lá da minha cadeira, que o resto todo o tampo da mesa tampava. Porque é que gente grande faz as mesas tão altas se criança também vai sentar nelas? Eu achava tudo muito errado, essa coisa de ter que me espichar toda no meu assento prá acompanhar as conversas da roda, como se ali nem fosse lugar prá mim. Ora, colo de pai servia então era prá isso, além de que o apoio é tão melhor.
Na altura que eu queria, agora sim, começava a ficar bom. Faltava era só meu guaraná, talvez. Mas pai cantava um samba tão alto e deixava tanto a gente ver os seus dentes, que não me ouviria de jeito nenhum, nem que eu puxasse a beirinha da camisa dele.
Fui nos guaranazes que já estavam na mesa, então. Eram mais amarelinhos e tinham até mais espuma, mas vai ver era só uma marca diferente, o meu irmão ele tinha levado lá em casa outro dia um que nem gosto de guaraná tinha, parecia era aqueles sucos da merenda da escola, tão doce.
Quando me viram levar o copo amarelo na boca teve quem riu e teve quem fez bico de não. Eu entortei a cara, que aquilo ali era meio amargo demais e não parecia nem de longe com o gosto ardidinho que eu ia esperando. Mas pai não cansava de nem me perceber, e a sede que ia aumentando eu resolvi que ia matar ali mesmo, no seu copo. Não demorou e, sabe que eu já nem sentia mais sede?
Tava preocupada era em rir riso dos outros, esquecida numa vontade estranha de cantar bem alto, de sair correndo onde é que fosse, de mandar longe os chinelos e pegar onda - todas.
Não sei direito como, mas foram me achar perdida em gargalhadas já na beira do mar, querendo - eles que falam - medir o limite certinho onde água não pegava areia, cortando com passadas tontas a maré, me derrubando no raso das águas, desfeita do biquininho verde, que já ia boiando longe.
[A gente cresce e aprende (pelo menos tenta aprender) a medir - a quatidade e as consequências. Uma pena, convenhamos.]
domingo, agosto 20, 2006
despropósito.
...tremia de vontade - tão forte que nauseava - de não ser. Parecia que o que havia pelo lado de dentro se debatia entre uma e outra extremidade da carcaça na tentativa vã de fugir antes estrago iminente.
Tolice. Nunca se lasca só com o corpo e haveria, sim e sempre, de sujeitar o resto às cicatrizes antevistas.
Tolice. Nunca se lasca só com o corpo e haveria, sim e sempre, de sujeitar o resto às cicatrizes antevistas.
domingo, agosto 06, 2006
retrato [de novo].
Sempre há de restar um tanto de mundo em mim.
Dos talhos que levei na alma, dos sorrisos que fingi serem verdadeiros, das dissimulações - estas tantas - eu trago em mim as cicatrizes.
Restou muito de mundo em minhas mãos trêmulas, em meus olhos fundos que se arrastam sob dois negros buracos, em minha pele cinza que sente e nunca deixou de sentir quão pesado é o existir.
Ironias... ["Porque sou uma vida com alguma ironia furibunda."] O mundo que se tatua a cada dia em mim é o mesmo que me recusa, que em faz estrangeira em meio a luzes e carros e cidades e a elas - as tais pessoas.
N´algumas memórias, contudo, eu caibo, que o tempo é senhor destes jogos com as lacunas das lembranças, que tornam o ontem tão mais doce.
Eu me perco a atravessar o vão do passado, flutuando pelo que há de suspenso até encontrar-me comigo mesma, outra vez. É quando percebo que me reflexo no espelho das memórias não me pertence.
No agora, não mais.
[Mais de meio de Julho, lá da oficina em Diamantina, depois de um tanto de Herberto Helder e Al Berto.]
Dos talhos que levei na alma, dos sorrisos que fingi serem verdadeiros, das dissimulações - estas tantas - eu trago em mim as cicatrizes.
Restou muito de mundo em minhas mãos trêmulas, em meus olhos fundos que se arrastam sob dois negros buracos, em minha pele cinza que sente e nunca deixou de sentir quão pesado é o existir.
Ironias... ["Porque sou uma vida com alguma ironia furibunda."] O mundo que se tatua a cada dia em mim é o mesmo que me recusa, que em faz estrangeira em meio a luzes e carros e cidades e a elas - as tais pessoas.
N´algumas memórias, contudo, eu caibo, que o tempo é senhor destes jogos com as lacunas das lembranças, que tornam o ontem tão mais doce.
Eu me perco a atravessar o vão do passado, flutuando pelo que há de suspenso até encontrar-me comigo mesma, outra vez. É quando percebo que me reflexo no espelho das memórias não me pertence.
No agora, não mais.
[Mais de meio de Julho, lá da oficina em Diamantina, depois de um tanto de Herberto Helder e Al Berto.]
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